Economia


Setor do leite debate exportação e proteção à produção no Sul

Aliança Láctea Sul Brasileira reúne lideranças para discutir novos mercados, sanidade animal e medidas para enfrentar desafios da cadeia produtiva
11/07/2026 às 14:58 Atualizado: 12/07/2026 às 13:50

A abertura de novos mercados para produtos lácteos e medidas de apoio à produção estiveram entre os temas discutidos pela Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB), em reunião realizada na segunda-feira (6), na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), em Florianópolis. O encontro reuniu representantes dos estados do Sul, do Mato Grosso do Sul, especialistas do setor e lideranças ligadas à produção de leite.

A reunião ocorreu em formato híbrido e teve como foco temas como exportação, sanidade do rebanho, competitividade e ações para reduzir os impactos enfrentados por produtores e indústrias. A programação foi conduzida pelo coordenador-geral da ALSB, Ronei Volpi.

Participaram da abertura o superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, representando o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo; a representante da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina, Daniela Cordeiro do Carmo; e o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios de Santa Catarina (Sindileite/SC) e coordenador do Conseleite/SC, Selvino Giesel.

Durante o encontro, as lideranças destacaram a necessidade de ações conjuntas para enfrentar dificuldades da cadeia leiteira e ampliar oportunidades para produtores e empresas. Entre os pontos debatidos estiveram a busca por novos mercados consumidores e o avanço em medidas sanitárias relacionadas ao controle da brucelose e da tuberculose.

Segundo Ronei Volpi, a abertura do mercado internacional pode ajudar a reduzir a dependência da venda interna. “Temos a expectativa de conseguir alavancar o setor leiteiro no Sul do Brasil. A atividade passa recorrentemente por crises, principalmente de preços, e, com essas ações, pretendemos reduzir a dependência de um mercado bastante incerto”, afirmou.

Caminhos para exportação

O consultor da ALSB, Airton Spies, apresentou informações sobre o Programa de Incentivo à Exportação de Leite pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), iniciativa estruturada para os três estados da Região Sul. A proposta busca ampliar a participação dos produtos lácteos brasileiros no mercado internacional e reduzir os impactos causados pela concorrência das importações.

A Região Sul responde por 41,1% do leite industrializado no Brasil e possui produção superior ao consumo regional. De acordo com a entidade, esse cenário cria a necessidade de ampliar a busca por compradores em outros mercados.

Entre os desafios apontados estão o custo de produção e a disputa com produtos importados. Para enfrentar esse cenário, a ALSB propõe incentivos por meio do BRDE, com recursos estaduais aportados pelo Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), destinados ao financiamento de projetos de empresas interessadas em exportar.

A proposta prevê apoio para produtos como leite em pó, queijos, manteiga e gordura anidra. O objetivo é ampliar a presença dos lácteos da Região Sul no comércio internacional e criar novas alternativas para a cadeia produtiva.

Segundo Spies, o avanço das exportações pode contribuir para reduzir oscilações de preços e ampliar a competitividade do setor. A expectativa também envolve aumentar o consumo de leite no país, que atualmente está em torno de 180 litros por pessoa ao ano, aproximando-se de índices de 220 litros anuais.

Proteção e novos produtos

Durante a reunião, a secretária de Estado de Articulação Nacional de Santa Catarina e secretária do Codesul-SC, Vânia Oliveira Franco, destacou a atuação da Aliança Láctea como espaço de discussão entre estados e instituições.

Ela citou iniciativas desenvolvidas em Santa Catarina, como o Programa Leite Bom SC e o decreto estadual que suspende a concessão de incentivos fiscais para a importação de leite e derivados. A medida busca estabelecer regras para a entrada desses produtos no estado.

Além das ações voltadas à proteção da produção, Vânia apresentou propostas para ampliar o aproveitamento de derivados do leite. Entre elas está a criação de uma estratégia para utilização do soro de leite e produção de proteínas lácteas de maior valor agregado, como o whey protein.

A secretária também sugeriu a realização de um estudo técnico, econômico e logístico com apoio do BRDE. A análise deve avaliar o potencial da região, investimentos necessários, modelos de organização e alternativas de financiamento para o setor.


Mercado e sanidade

Outro assunto tratado no encontro foi o processo antidumping relacionado ao leite em pó importado. A atualização foi apresentada por João Paulo Franco da Silveira, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A reunião também abordou o Mercado Futuro do Leite, apresentado por Caio Toledo, da StoneX. A ferramenta busca auxiliar produtores e empresas na gestão de riscos e no planejamento diante das mudanças no mercado.

Também estiveram na pauta temas relacionados ao plano de trabalho do Grupo de Sanidade, políticas de proteção, inovação e alternativas para fortalecer a cadeia produtiva.

O presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, reforçou a importância da articulação entre instituições e representantes do setor leiteiro. Segundo ele, a Aliança Láctea Sul Brasileira funciona como um espaço para discutir soluções e construir ações voltadas ao desenvolvimento da atividade.

A cadeia leiteira reúne produtores, indústrias e consumidores em diferentes etapas de produção. Com encontros como o realizado pela ALSB, representantes do setor buscam definir estratégias para enfrentar desafios atuais e ampliar oportunidades para a produção de leite no Sul do país.

Fotos: Silvania Cuochinski/MB Comunicação

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