Economia


Oeste de SC articula entidade estadual para produtores de leite

Movimento reúne sete associações regionais, produtores e lideranças para discutir preços, custos e fortalecimento da cadeia leiteira catarinense
16/05/2026 às 14:09 Atualizado: 23/05/2026 às 19:42

Representantes de sete associações de municípios do Oeste, Extremo Oeste, Meio-Oeste, Alto Irani, Alto Uruguai e Noroeste catarinense estiveram reunidos nesta terça-feira (12), na sede da Associação dos Municípios do Oeste de Santa Catarina (AMOSC), em Chapecó, para iniciar a criação de uma entidade representativa dos produtores de leite de Santa Catarina. O encontro reuniu prefeitos, secretários de Agricultura, produtores rurais, técnicos e lideranças ligadas ao setor leiteiro.

A proposta busca ampliar a representatividade da cadeia produtiva e fortalecer o diálogo sobre os desafios enfrentados pelos produtores. Entre os assuntos debatidos estiveram os custos de produção, a oscilação nos preços pagos ao produtor e estratégias para ampliar a valorização do leite catarinense. Também foram discutidas formas de articulação entre municípios e entidades ligadas ao agro.

A reunião foi conduzida pelo vice-presidente da AMOSC e prefeito de Nova Itaberaba, Marciano Pagliarini, ao lado do presidente da Associação dos Municípios do Alto Irani (AMAI) e prefeito de Lajeado Grande, Anderson Bianchi. Participaram representantes da AMEOSC, AMERIOS, AMNOROESTE, AMAI, AMOSC, AMAUC e AMMOC.

Durante o encontro, o assessor jurídico da AMOSC, Fabiano Porto, apresentou a proposta de criação do Fórum Interassociativo da Cadeia Leiteira. A medida foi aceita como um primeiro passo para organizar o movimento e construir uma representação estadual dos produtores. A intenção é criar um espaço permanente de diálogo entre municípios, produtores e entidades do setor.

Segundo Marciano Pagliarini, a união entre as regiões pode fortalecer a cadeia produtiva e ampliar as condições de desenvolvimento da atividade leiteira. Ele afirmou que a articulação regional busca melhorar a valorização e a rentabilidade do leite, considerado importante para a economia regional. O grupo também pretende avançar com reuniões regionais, ampliar a participação dos produtores e levantar dados da cadeia produtiva para subsidiar futuras ações em defesa do setor.

Durante a reunião, foram definidos representantes provisórios de cada associação regional. Eles terão a função de conduzir as discussões em suas regiões, aproximar os produtores do movimento e colaborar na construção da futura entidade estadual. A coordenação inicial reúne produtores rurais, prefeitos, secretários municipais e representantes técnicos.

Desafios no campo

Dados apresentados pelo assistente de pesquisa e mercado da Epagri/Cepa, Valmir Kretschmer, mostraram a importância da cadeia leiteira para Santa Catarina e para o país. Segundo ele, o Brasil ocupa a quinta posição entre os maiores produtores de leite do mundo, respondendo por cerca de 4% da produção mundial e 55% da produção da América do Sul. Santa Catarina aparece como o quarto maior produtor nacional, com aproximadamente 9% da produção brasileira.

Valmir Kretschmer afirmou que a cadeia produtiva segue em crescimento, mesmo após períodos de instabilidade nos preços pagos aos produtores. Segundo ele, o aumento da oferta nos próximos meses pode voltar a pressionar o mercado. O pesquisador defendeu maior diálogo sobre custos de produção, estratégias de consumo e alinhamento entre produtores, indústrias e lideranças.

O presidente da AMEOSC e prefeito de Iporã do Oeste, Michel Bath, afirmou que a insegurança econômica é uma das principais preocupações dos produtores. Segundo ele, as oscilações nos preços dificultam o planejamento das propriedades e os investimentos no campo. Lideranças também defenderam que a organização coletiva pode fortalecer o setor nas negociações.

Representando a AMOSC, o produtor André Balestrini afirmou que o movimento busca integrar os produtores e fortalecer toda a cadeia produtiva. Já a produtora de leite e presidente da Câmara de Vereadores de Jaborá, Micheli Mores, destacou a necessidade de transformar os debates em ações práticas voltadas à valorização do produtor. O movimento segue aberto para produtores, entidades e lideranças interessados em participar da construção da futura representação estadual.

Fotos: AMOSC
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