Novas regras do Pix começam a valer
As novas regras do Banco Central (BC) para reforçar a segurança do Pix entraram em vigor neste domingo (23). As mudanças incluem o aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução (MED) 2.0, que agora permite rastrear o caminho do dinheiro em mais de uma conta usada em golpes, e a criação de alertas padronizados para transações consideradas suspeitas. O bloqueio automático de chaves utilizadas em fraudes também foi mantido.
Antes, a devolução de valores só podia ser feita a partir da conta usada diretamente na fraude. Com o MED 2.0, o sistema passa a identificar o percurso do dinheiro mesmo após novas transferências. O bloqueio e a análise podem ocorrer em até sete dias, e a devolução pode acontecer em até onze dias após a contestação. As instituições envolvidas na transação deverão compartilhar informações para facilitar o rastreio.
O BC informou que a medida deve ampliar a recuperação de recursos desviados e reforçar a identificação de contas usadas em golpes. As novas regras serão opcionais até 2 de fevereiro e passam a ser obrigatórias depois disso.
Proteção ao usuário
Desde 1º de outubro, todos os bancos são obrigados a oferecer, dentro do ambiente Pix dos aplicativos, uma ferramenta de contestação automática. O pedido é feito de forma digital, sem atendimento humano, o que, segundo o BC, aumenta a chance de haver saldo disponível para devolução.
Outra mudança é a criação de alertas personalizados. Quando o sistema identificar uma movimentação suspeita, o aplicativo exibirá uma mensagem pedindo a confirmação do usuário antes da conclusão da operação.
O bloqueio de chaves Pix usadas em fraudes está ativo desde 4 de outubro de 2025. O processo ocorre a partir de informações enviadas pelas instituições financeiras. O Banco Central afirma que a medida reduz o uso dessas chaves em novos golpes e fortalece a segurança do sistema.
Controle do Pix
Nos últimos meses, o BC já havia anunciado outras ações para conter fraudes. Em setembro, limitou a R$ 15 mil as transferências via Pix e TED para instituições de pagamento não autorizadas a funcionar como financeiras. A decisão ocorreu após operações da Polícia Federal que investigam mais de R$ 50 bilhões em movimentações suspeitas.
Ainda em setembro, o Banco Central passou a exigir que instituições de pagamento neguem transferências para contas com indícios de fraude. O usuário deve ser informado quando a operação for bloqueada.
Também desde 1º de outubro, todos os aplicativos passaram a exibir o botão de contestação do Pix. A ferramenta tornou digital todo o processo do MED, criado em 2021 para auxiliar vítimas de golpes e fraudes.
