Adeus ao cantor: as lembranças de João Chagas Leite
por Deisiana Damarat
O cantor e compositor João Chagas Leite, um dos nomes mais reconhecidos da música nativista, morreu na manhã da última terça-feira (11), aos 80 anos, em Erechim (RS). O artista estava internado no Hospital de Caridade de Erechim, onde tratava um câncer. Natural de Santana do Livramento, ele acumulava mais de 300 composições e participou de diversos festivais tradicionalistas do Rio Grande do Sul.
Entre os que guardam lembranças da convivência com o músico está o amigo Dirceu Jacques Crispim, morador de Xanxerê, no Oeste catarinense. Ele conheceu João nos anos 1980, em Santa Maria (RS), quando o cantor começava a se destacar no cenário regional.
Um encontro nos anos 80
“Eu conheci o João Chagas Leite lá nos anos 80, através dos bares e de amigos em comum. Ele ficou mais conhecido quando ganhou a Tertúlia Nativista, com a música Campo, Pampa e Querência. A partir dali, continuamos amigos por muitos anos”, contou Crispim ao Folha Regional.
Entre as lembranças, Dirceu recorda uma noite em um bar de Santa Maria, cheio de gente e com palco aberto a quem quisesse cantar. “O João pegou o violão, cantou a primeira música, depois começou a conversar com o público e, antes da segunda, disse que ia dedicar a música a um grande amigo. Para minha surpresa, era para mim. Ele falou: ‘vou dedicar essa ao meu amigo Crispim’. Foi um momento que me marcou muito.”
Laços com Xanxerê
Mesmo morando no Rio Grande do Sul, Chagas Leite mantinha proximidade com o público catarinense. Dirceu lembra que o artista se apresentava com frequência em Xanxerê e cidades próximas. “Ele vinha seguido pra cá. Quem gostava da música nativista sempre fazia questão de ver o João. O público admirava muito ele”, relatou.
Em 2017, o cantor esteve em Xanxerê para um show no Super Gentil, evento que também se transformou em reencontro entre amigos. “Ele veio fazer o show, almoçou aqui em casa, conversamos bastante. Era um homem muito cordial, simples, daqueles que gostavam de estar entre as pessoas.”
Crispim conta que, nos últimos anos, João mantinha o hábito de enviar suas novas composições em primeira mão. “Cada música nova que ele fazia, me mandava antes de lançar. Eu divulgava em um Programa Nativista, aqui de Xanxerê. Ele confiava muito nas pessoas próximas.”
Dirceu resume o amigo como alguém firme, de fala tranquila e presença marcante. “Ele era um cara sério, mas muito simpático. Deixou um legado enorme. A música dele continua, e é isso que a gente leva.”
O corpo de João Chagas Leite foi velado em Erechim (RS). O cantor deixa uma trajetória marcada por canções como Desassossegos, Ave Sonora e Por Quem Cantam os Cardeais, que seguem ecoando nas vozes de quem o ouviu e nas memórias de quem o conheceu.
