Atleta de Xanxerê conquista título brasileiro de Jiu-Jitsu
A rotina começa cedo e termina tarde. Entre audiências, processos e compromissos da advocacia, Ana Cecília Sirino encontra espaço para o tatame. Foi assim que a atleta de Xanxerê chegou a mais uma conquista na carreira: o título do Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu na categoria faixa marrom, Master 3, peso pluma.
A preparação para a competição mudou a rotina da atleta nas semanas que antecederam o campeonato. Acostumada a treinar três vezes por semana, ela passou para cinco sessões, conciliando musculação, preparação cardiovascular, alimentação e cuidados com a saúde mental. Tudo isso sem deixar o trabalho como advogada em período integral.
“Conciliar essa rotina com a profissão é um desafio, porque atuo como advogada em período integral e a demanda é muito alta. Mesmo assim, consigo me adequar mantendo uma agenda muito organizada”, destacou Ana.
Morando em Xanxerê e treinando em Chapecó, ela também utilizou competições internacionais como preparação para o Brasileiro. Em abril, disputou torneios em Milão e Turim, na Itália. Em Milão, conquistou ouro na categoria e ficou com o vice-campeonato no absoluto.
A luta antes da luta
Antes mesmo de entrar no tatame, o principal desafio acontece fora dele. Segundo a atleta, controlar a mente faz parte da preparação para competir. Ansiedade, nervosismo e pressão acompanham cada campeonato. “A luta mais difícil é contra a nossa própria mente. A competição gera ansiedade e nervosismo, então o preparo psicológico é fundamental”, relatou.
No Brasileiro, Ana realizou apenas uma luta, resultado suficiente para garantir o primeiro lugar no pódio. Ela afirma que o apoio da família, dos colegas de treino e do professor Augusto Ranzan teve papel importante durante a competição.
A conquista reforça uma sequência de resultados que a atleta acumula nos últimos anos. Em 2024, Ana conquistou o Campeonato Brasileiro na faixa roxa. Já em 2025, venceu o Campeonato Europeu, em Portugal, e depois o Pan-Americano, disputado em Orlando, nos Estados Unidos.
Ouro dividido
Para Ana, as vitórias vão além das medalhas. A atleta afirma que cada campeonato representa uma etapa de superação pessoal e também física, depois de enfrentar problemas de saúde ao longo da trajetória. “Vencer representa mais a minha própria superação do que derrotar uma adversária. Cada competição mostra minha evolução técnica, mental e física”, afirmou.
Ela também relembrou momentos difíceis enfrentados nos últimos anos, incluindo cirurgia no joelho, hérnia de disco e até a troca de academia. Segundo Ana, o título representa a confirmação de que todo o processo valeu a pena. “Essa vitória prova que sou capaz, que não tenho medo de desafios e que todo o sofrimento e aprendizado valeram a pena”, declarou.
Logo após a conquista, a atleta compartilhou o resultado com os colegas da equipe LEAU Academia, de Chapecó, em uma mensagem curta: “O ouro é nosso”. Ela também dividiu o mérito com o professor Augusto Ranzan, medalhista de bronze no Campeonato Brasileiro, e com os parceiros de treino.
Agora, a próxima meta já está definida. Ana busca conquistar o Mundial Master, marcado para setembro, em Las Vegas. Segundo ela, o título é o único que falta para completar o Grand Slam do Jiu-Jitsu, formado pelos campeonatos Brasileiro, Europeu, Pan-Americano e Mundial.







