Santa Catarina


SC lança programa de R$ 830 milhões para levar sinal ao interior

Programa Sinal Bom prevê cobertura de internet em 99,4% de SC com novas antenas e fibra óptica para ampliar conexão no campo, pequenos municípios e rodovias
11/07/2026 às 14:44 Atualizado: 12/07/2026 às 13:59

O Governo de Santa Catarina sancionou a Lei nº 19.936, de 30 de junho de 2026, que cria o Programa Sinal Bom. A iniciativa prevê investimento de R$ 830 milhões para ampliar a cobertura de internet e telefonia móvel em comunidades rurais, pequenos municípios e rodovias estaduais. A proposta busca reduzir áreas sem acesso aos serviços de telecomunicações e ampliar a infraestrutura de conectividade em diferentes regiões do estado. A coordenação do programa ficará a cargo da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), em parceria com a Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) e a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc).

O programa foi aprovado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) antes de ser sancionado pelo governador Jorginho Mello. A medida busca ampliar o acesso à comunicação em locais onde a cobertura ainda é limitada. Além do uso para chamadas telefônicas e acesso à internet, a proposta pretende facilitar o acesso a serviços públicos, atividades econômicas e deslocamentos pelas rodovias estaduais. O investimento também contempla incentivos para expansão da infraestrutura de telecomunicações.

Segundo o Governo do Estado, o programa foi dividido em duas frentes. A primeira prevê até R$ 580 milhões para ampliar a cobertura de telefonia móvel com a instalação de novas estações rádio-base (ERBs). As antenas serão implantadas em comunidades rurais e ao longo das rodovias estaduais para ampliar o alcance do sinal. A expectativa é atender regiões que hoje apresentam baixa cobertura ou ausência do serviço.

A segunda frente contará com até R$ 250 milhões destinados à expansão das redes fixas de fibra óptica. Os investimentos serão direcionados principalmente para municípios de menor porte e áreas rurais. O programa também prevê incentivos para ampliar essa infraestrutura, incluindo uma política especial da Celesc para compartilhamento de postes em áreas rurais. A medida busca reduzir custos para implantação e manutenção das redes de fibra óptica.

Cobertura ampliada

Levantamentos realizados pelo Governo do Estado apontam que Santa Catarina possui cobertura total de internet em 92,3% do território. Nas áreas rurais, porém, esse índice chega a 48,12%. A diferença entre os dois cenários foi um dos fatores considerados para a elaboração do Programa Sinal Bom. A proposta pretende ampliar o acesso à comunicação em regiões onde o serviço ainda apresenta limitações.

O governador Jorginho Mello afirmou que a ampliação da conectividade busca reduzir diferenças entre áreas urbanas e rurais. "Não dá mais para aceitar áreas sem internet e sem sinal de telefone. Estamos investindo pesado para conectar o campo, os pequenos municípios e as rodovias. Quem vive no interior também merece acesso à tecnologia, oportunidades e serviços com a mesma qualidade de quem está nos grandes centros", disse.

Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Edi Dalla Cort, o acesso à internet também interfere na rotina das famílias e das atividades econômicas. "Estar conectado é essencial para produção agropecuária, para acesso aos serviços públicos e para a qualidade de vida das famílias do campo. Com o Programa Sinal Bom, estamos criando condições para que mais catarinenses tenham acesso à informação e inovação", afirmou.

Os estudos técnicos que embasaram o programa indicam a necessidade de implantação de 688 novas estações rádio-base em Santa Catarina. Os pontos foram definidos a partir de levantamentos realizados pela Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) e pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI). Com a instalação das novas estruturas, a cobertura total de internet no estado poderá alcançar 99,4%.

Dois anos de planejamento

O Programa Sinal Bom começou a ser estruturado a partir de estudos desenvolvidos ao longo de dois anos. Técnicos da Secretaria de Estado do Planejamento realizaram levantamentos de topografia, análise territorial e diagnóstico da cobertura existente para identificar os locais com maior necessidade de investimento. Também foi elaborado um mapeamento da rede de fibra óptica instalada no estado.

Os estudos resultaram na definição dos pontos considerados estratégicos para instalação das novas antenas e expansão da infraestrutura de telecomunicações. O trabalho incluiu a identificação das estruturas já existentes e das regiões ainda sem cobertura adequada. O objetivo foi direcionar os investimentos para áreas com menor acesso aos serviços de comunicação.

Segundo o Governo do Estado, todas as ações previstas no programa deverão seguir a regulamentação federal. A implantação das estruturas observará as normas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A expectativa é que a ampliação da cobertura ocorra de forma gradual, conforme a execução das etapas previstas na nova lei.

Fotos: Divulgação/SAPE

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