Saúde


Movimento Maio Furta-Cor chama atenção para sobrecarga emocional na gestação e no pós-parto

Por: Sanny Borges 22/05/2026 às 16:51 Atualizado: 29/05/2026 às 17:20

A maternidade nem sempre acontece da forma como aparece nas redes sociais ou nas imagens idealizadas sobre o tema. Entre consultas, noites sem dormir e mudanças na rotina, muitas mulheres também enfrentam medo, ansiedade, culpa e sensação de solidão. É nesse cenário que a campanha Maio Furta-Cor busca ampliar o debate sobre saúde mental materna e incentivar o acolhimento durante a gestação e o pós-parto.

O movimento trabalha a conscientização sobre o sofrimento emocional vivido por mães em diferentes fases da maternidade. Inspirada nas diferentes cores que mudam conforme a luz e o olhar, a campanha representa as várias emoções que atravessam esse período. Entre elas estão alegria, insegurança, exaustão, amor e medo.

Segundo a psicóloga Deisy Parnof, da Unimed Personal, a proposta é romper com a ideia de que existe apenas uma forma de viver a maternidade. Ela afirma que cada mulher atravessa esse processo de maneira diferente e que o cuidado emocional também precisa fazer parte da rotina.

“A maternidade não é única. Ela se mistura com situações, sentimentos e diferentes culturas. Não existe apenas uma forma de vivenciar a gestação, o parto e o pós-parto. Precisamos olhar para essa mãe como alguém que também necessita de cuidado”, enfatiza.

A profissional explica que o acompanhamento psicológico, os momentos de escuta e o fortalecimento da rede de apoio ajudam a prevenir o agravamento do sofrimento emocional. Segundo ela, o cuidado deve começar ainda na gestação e continuar após o nascimento do bebê.

Sinais de alerta

Mudanças hormonais, alterações físicas e novas responsabilidades fazem parte da maternidade, mas algumas situações precisam de atenção. A psicóloga explica que tristeza constante, crises frequentes de choro, ansiedade intensa, irritabilidade, alterações no sono e isolamento podem indicar sofrimento emocional mais intenso.

Ela também afirma que muitas mulheres criam expectativas sobre a maternidade e acabam enfrentando frustração quando a rotina se mostra diferente do imaginado. A cobrança para dar conta de tudo, somada ao cansaço e à falta de apoio, pode aumentar o desgaste emocional.

“Quando esses sintomas persistem e começam a impactar a rotina e o vínculo da mãe consigo mesma ou com o bebê, é fundamental buscar ajuda profissional”, destaca.

Outro ponto citado pela psicóloga é a chamada carga mental materna. Muitas mulheres acumulam responsabilidades ligadas à casa, filhos, trabalho e organização da rotina familiar. Ao mesmo tempo, enfrentam pressão social e comparações constantes, principalmente nas redes sociais.

Rede de apoio

Segundo Deisy, a rede de apoio tem papel importante durante a maternidade. Ela explica que apoio não significa apenas ajudar em tarefas práticas, mas também oferecer escuta, acolhimento e dividir responsabilidades dentro da rotina.

“Apoio não significa apenas ajudar nas tarefas práticas, mas também escutar sem julgamento, acolher emoções, dividir responsabilidades e incentivar momentos de descanso e cuidado pessoal”, afirma.

A campanha Maio Furta-Cor também busca estimular reflexões sobre os impactos da saúde mental materna no desenvolvimento das crianças. O acolhimento emocional das mães pode influenciar diretamente na construção dos vínculos familiares e na relação entre mãe e filho.

A Unimed Chapecó informou que realiza atendimentos voltados ao cuidado integral por meio da Unimed Personal, com acompanhamento de médicos, psicólogos e equipe multidisciplinar. O espaço oferece atividades ligadas à promoção da saúde física e emocional e ao fortalecimento da rede de apoio às mães.

“Sentir cansaço, medo ou tristeza não faz de ninguém uma mãe pior. Toda mãe merece ser cuidada, ouvida e acolhida”, finaliza Deisy.

Foto: Magnific

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Coletamos dados para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com nossa política de privacidade.