Maduras demais: O comportamento que encanta, mas pode esconder sofrimento emocional na infância
Crianças vistas como tranquilas, responsáveis e adaptáveis nem sempre estão bem. O comportamento considerado “maduro” pode esconder dificuldades emocionais. A avaliação é de especialistas que estudam o desenvolvimento infantil. O tema envolve a forma como a criança lida com sentimentos no dia a dia.
Segundo a terapeuta de família e casal Fabiana Ribas, esse padrão pode surgir como forma de adaptação. Em alguns casos, a criança evita conflitos e deixa de expressar emoções. O comportamento pode estar ligado ao ambiente em que vive. A resposta ocorre mesmo sem que a criança perceba.
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“Esse silenciamento emocional pode ter raízes mais profundas. A criança aprende a conter sentimentos, a não demonstrar frustração e a priorizar as expectativas do ambiente em detrimento das próprias necessidades. Com o tempo, esse padrão pode impactar diretamente a forma como ela se relaciona consigo mesma e com os outros”, pontua. A fala indica que o comportamento pode se manter ao longo dos anos.
A situação costuma ser vista de forma positiva por adultos. Crianças que não “dão trabalho” são elogiadas com frequência. No entanto, esse tipo de comportamento pode esconder dificuldades internas. O silêncio emocional pode passar despercebido em casa e na escola.
Impactos ao longo da vida
De acordo com a especialista, os efeitos podem aparecer na vida adulta. Pessoas que cresceram nesse contexto podem ter dificuldade em reconhecer emoções. Também podem encontrar obstáculos para se posicionar e lidar com conflitos. Esses sinais aparecem em diferentes fases da vida.
“Ansiedade, sensação constante de inadequação e necessidade de agradar também estão entre os reflexos mais frequentes que identificamos nos pacientes. Além disso, ao ‘serem maduras’, elas acreditam inconscientemente que não precisam de ajuda, nem de apoio. Isso gera ainda mais frustrações que geram consequências negativas no processo de desenvolvimento”, afirma. O relato aponta para impactos emocionais que se acumulam com o tempo.
A orientação é que adultos observem além de comportamentos considerados difíceis. Crianças muito quietas ou que se adaptam rapidamente também precisam de atenção. O acompanhamento envolve família e escola. A identificação precoce pode ajudar no desenvolvimento.
Criar espaços para a criança falar sobre sentimentos é uma das recomendações. Validar emoções e ensinar formas de expressão fazem parte do processo. A proposta é permitir que a criança reconheça o que sente. Esse cuidado pode influenciar a forma como ela se desenvolve.
