Segurança Pública


SC mantém menor índice de violência do país em 2025

Dados nacionais apontam queda em crimes contra a vida e o patrimônio, com investimentos em tecnologia, integração e valorização profissional
02/01/2026 às 12:33 Atualizado: 09/01/2026 às 22:33 Secom SC/SSP

Santa Catarina manteve em 2025 o menor índice de violência do país, conforme levantamentos nacionais divulgados ao longo do ano. Entre eles estão o Ranking de Competitividade dos Estados, o Atlas da Violência, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública e o Anuário das Cidades Mais Seguras. Os dados apontam redução de crimes e avanços em ações de segurança pública.

De janeiro a novembro de 2025, os indicadores mostram queda nos crimes letais e contra o patrimônio. As mortes violentas diminuíram 9% e os homicídios caíram 15,4% em relação ao mesmo período de 2024. Os registros de feminicídio somaram 47 casos até novembro, com redução de 2% na comparação anual.

Os crimes patrimoniais também apresentaram queda. O roubo diminuiu 17,3% e o roubo de veículos, 16,1%. O furto caiu 5,7% em relação a 2024 e, desde 2022, o estado reduziu quase 8 mil ocorrências desse tipo no mesmo recorte do ano. Os dados são da Secretaria de Estado da Segurança Pública.

Segundo o governo estadual, os resultados estão ligados a investimentos em estrutura, tecnologia e valorização dos profissionais das forças de segurança. O estado também teve destaque nacional em ações de combate ao crime organizado, citadas em Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado.

Investimentos e tecnologia

Em 2025, a Secretaria da Segurança Pública ampliou investimentos em tecnologia. Um dos principais projetos é o de Reconhecimento Facial, que começou a ser implantado e deve alcançar 60 municípios com mais de 26,5 mil habitantes. Estão previstos R$ 40 milhões em investimentos até o fim de 2026, sendo R$ 35 milhões do Fundo Estadual de Segurança Pública.

A tecnologia passou por testes em eventos como o Carnaval de Florianópolis, a Festa do Pinhão e a Oktoberfest, com registros de prisões e impacto em crimes como furto de celular.

Outros R$ 31 milhões do fundo foram usados na compra de viaturas, veículos de salvamento, equipamentos forenses, drones, armamentos não letais, uniformes, munições e equipamentos de combate a incêndio. A secretaria também passou a disponibilizar um painel de transparência com os gastos do fundo.

O Estado investiu ainda R$ 6,6 milhões em treinamento, com credenciamento de estandes de tiro para capacitação das forças de segurança. A iniciativa atende cerca de 5.200 agentes e deve ser ampliada para pelo menos 70 municípios.

Valorização profissional e políticas públicas

No início do ano, o governo concedeu reajuste salarial de 21,5% aos mais de 35 mil profissionais da segurança pública, entre ativos e inativos. O investimento anual previsto é de R$ 1,4 bilhão.

Em relação à violência contra mulheres, foi lançado em agosto o Plano Estadual de Combate à Violência contra as Mulheres, com ações previstas para os próximos dez anos. Em novembro, teve início o programa Catarinas Por Elas, com participação de secretarias e da vice-governadoria.

Para crimes contra crianças e adolescentes, o Estado regulamentou a lei que cria o Cadastro Estadual de Pedófilos e Agressores Sexuais. Uma versão simplificada do cadastro será disponibilizada ao público.

Na área de ordem pública, passou a ser aplicada multa equivalente a um salário mínimo para quem for flagrado usando ou portando drogas ilícitas em espaços públicos. Até dezembro, mais de 2,6 mil multas haviam sido registradas.

Integração, educação e cooperação

A Central Integrada de Atendimento a Emergências unificou os serviços da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, SAMU e Polícia Penal. Em fase piloto na Grande Florianópolis, o sistema registrou cerca de 200 mil atendimentos entre setembro e novembro.

Outra ação foi a entrega do Centro Integrado de Comando e Controle da Fronteira, em Dionísio Cerqueira, voltado ao enfrentamento de crimes transfronteiriços. A unidade reforça o monitoramento na região de fronteira.

Na área educacional, o programa Escola Mais Segura contou com mais de 440 policiais e bombeiros atuando diariamente em escolas estaduais, alcançando mais de 132 mil alunos. Também foram realizados seminários e lançado um curso virtual de segurança escolar.

Santa Catarina encerrou o ano com quase 100 Conselhos Comunitários de Segurança em funcionamento e manteve índice superior a 80% na localização de pessoas desaparecidas, com atuação integrada das forças policiais.

Cooperação e estrutura da SSP-SC

Em novembro, representantes da segurança pública de cinco estados firmaram acordo para compartilhamento de dados e imagens, ampliando a cooperação interestadual. O objetivo é integrar informações sobre pessoas e veículos de interesse policial.

Também avançou a proposta de criação de um sistema integrado de segurança pública entre os estados do Sul e Sudeste, voltado ao cruzamento de dados e inteligência policial.

Em dezembro, o governo estadual promoveu a reestruturação da Secretaria de Estado da Segurança Pública, ampliando o quadro de servidores. No mesmo período, foi sancionada a lei que institui oficialmente o PROCON-SC dentro da estrutura da secretaria.

Segundo a SSP-SC, os projetos em andamento devem ter continuidade em 2026, com foco na integração entre órgãos, uso de tecnologia e manutenção dos indicadores de criminalidade em níveis compatíveis com a realidade do estado.

Foto: Ricardo Trida/Secom SC

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