Política


Xanxerenses avaliam decisão do STF após prisão do Bolsonaro

Moradores comentam a decisão do STF que manteve a prisão do ex-presidente após apontar risco de fuga e violação de medidas.
22/11/2025 às 20:16 Atualizado: 29/11/2025 às 23:14
por Deisiana Damarat 

A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, realizada na manhã deste sábado (22), repercutiu entre moradores de Xanxerê. A Polícia Federal cumpriu mandado de prisão preventiva após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que citou risco de fuga e violação da tornozeleira eletrônica.

Na noite anterior, o senador Flávio Bolsonaro (PL) convocou uma vigília de orações perto da casa onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto. Moraes afirmou que a reunião poderia gerar tumulto e facilitar “eventual tentativa de fuga do réu”. Segundo o ministro, houve comunicação de violação do equipamento de monitoramento eletrônico na madrugada deste sábado.

A decisão também determina audiência de custódia neste domingo (23), atendimento médico contínuo ao ex-presidente e autorização prévia do STF para todas as visitas, exceto de advogados e equipe médica. A defesa havia pedido “prisão domiciliar humanitária”, alegando condições de saúde, mas o ministro rejeitou a solicitação. Os advogados informaram que irão recorrer.

Na terça-feira (25), a Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, referendar as decisões que determinaram as execuções das condenações de Bolsonaro e de mais seis réus da trama golpista. Além de Moraes, votaram Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. O ministro Luiz Fux deixou o colegiado no mês passado após votar pela absolvição de Bolsonaro.

Processo avança no STF

Mais cedo, o trânsito em julgado do processo foi reconhecido após o fim do prazo para novos recursos, encerrado na segunda-feira (24). Moraes rejeitou as últimas contestações e determinou o início das penas. No dia 14, a Primeira Turma já havia rejeitado um primeiro recurso de Bolsonaro e dos demais réus.

Condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal do Núcleo 1 da trama golpista, Bolsonaro pode ter a pena executada nas próximas semanas.

O ministro também determinou que a defesa explique, em 24 horas, o uso de celular pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante visita realizada ao ex-presidente no dia 21 de novembro, quando ele ainda cumpria prisão domiciliar. O uso do aparelho estava proibido para visitantes e para Bolsonaro. A situação foi registrada por veículos de imprensa e enviada ao Supremo pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que apresentou notícia-crime.

Atualmente, Bolsonaro cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília.

Repercussão em Xanxerê

Foto: Reprodução/Redes Sociais 

Em suas redes sociais, Matheus Bortoluzzi, marido da deputada federal Caroline de Toni, publicou uma foto ao lado de Bolsonaro com a mensagem: “Nos mantemos firmes. Deus é justo e vai colocar tudo no lugar. Nenhuma injustiça resiste à verdade.”

O presidente municipal do Progressistas (PP) de Xanxerê, Celso Mattiolo, também se manifestou. Ele afirmou que Bolsonaro representa valores que, segundo ele, marcaram o mandato do ex-presidente. “DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA e LIBERDADE”, disse. Para Mattiolo, esses princípios explicariam as críticas direcionadas ao ex-chefe do Executivo.

Foto: Divulgação 

A professora Juleide Almeida Corrêa avaliou a decisão de Moraes como “correta” e afirmou que o caso demonstra o cumprimento dos ritos legais. “Todos os fatos levam ao descumprimento da justiça... a tornozeleira eletrônica foi violada e confessada pelo Bolsonaro. Ninguém está acima da lei”, disse.

Ela avalia que a prisão aponta para o andamento do caso. “Cumprimento da condenação na Papuda. Que o Estado de Direito deve ser respeitado. Na democracia a justiça se faz”, afirmou.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

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