Xanxerenses avaliam decisão do STF após prisão do Bolsonaro
por Deisiana Damarat
A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, realizada na manhã deste sábado (22), repercutiu entre moradores de Xanxerê. A Polícia Federal cumpriu mandado de prisão preventiva após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que citou risco de fuga e violação da tornozeleira eletrônica.
Na noite anterior, o senador Flávio Bolsonaro (PL) convocou uma vigília de orações perto da casa onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar desde 4 de agosto. Moraes afirmou que a reunião poderia gerar tumulto e facilitar “eventual tentativa de fuga do réu”. Segundo o ministro, houve comunicação de violação do equipamento de monitoramento eletrônico na madrugada deste sábado.
A decisão também determina audiência de custódia neste domingo (23), atendimento médico contínuo ao ex-presidente e autorização prévia do STF para todas as visitas, exceto de advogados e equipe médica. A defesa havia pedido “prisão domiciliar humanitária”, alegando condições de saúde, mas o ministro rejeitou a solicitação. Os advogados informaram que irão recorrer.
Na terça-feira (25), a Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, referendar as decisões que determinaram as execuções das condenações de Bolsonaro e de mais seis réus da trama golpista. Além de Moraes, votaram Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. O ministro Luiz Fux deixou o colegiado no mês passado após votar pela absolvição de Bolsonaro.
Processo avança no STF
Mais cedo, o trânsito em julgado do processo foi reconhecido após o fim do prazo para novos recursos, encerrado na segunda-feira (24). Moraes rejeitou as últimas contestações e determinou o início das penas. No dia 14, a Primeira Turma já havia rejeitado um primeiro recurso de Bolsonaro e dos demais réus.
Condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal do Núcleo 1 da trama golpista, Bolsonaro pode ter a pena executada nas próximas semanas.
O ministro também determinou que a defesa explique, em 24 horas, o uso de celular pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante visita realizada ao ex-presidente no dia 21 de novembro, quando ele ainda cumpria prisão domiciliar. O uso do aparelho estava proibido para visitantes e para Bolsonaro. A situação foi registrada por veículos de imprensa e enviada ao Supremo pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que apresentou notícia-crime.
Atualmente, Bolsonaro cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília.
Repercussão em Xanxerê
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Em suas redes sociais, Matheus Bortoluzzi, marido da deputada federal Caroline de Toni, publicou uma foto ao lado de Bolsonaro com a mensagem: “Nos mantemos firmes. Deus é justo e vai colocar tudo no lugar. Nenhuma injustiça resiste à verdade.”
O presidente municipal do Progressistas (PP) de Xanxerê, Celso Mattiolo, também se manifestou. Ele afirmou que Bolsonaro representa valores que, segundo ele, marcaram o mandato do ex-presidente. “DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA e LIBERDADE”, disse. Para Mattiolo, esses princípios explicariam as críticas direcionadas ao ex-chefe do Executivo.
Foto: Divulgação
A professora Juleide Almeida Corrêa avaliou a decisão de Moraes como “correta” e afirmou que o caso demonstra o cumprimento dos ritos legais. “Todos os fatos levam ao descumprimento da justiça... a tornozeleira eletrônica foi violada e confessada pelo Bolsonaro. Ninguém está acima da lei”, disse.
Ela avalia que a prisão aponta para o andamento do caso. “Cumprimento da condenação na Papuda. Que o Estado de Direito deve ser respeitado. Na democracia a justiça se faz”, afirmou.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
