Chuvas


Oeste catarinense se reorganiza após tornados

Região soma esforços na recuperação de escolas, casas e serviços após a passagem de ventos extremos
14/11/2025 às 13:19 Atualizado: 21/11/2025 às 16:23


O cenário que se formou após o tornado em Xanxerê, no dia 7 de novembro,  ganha contornos de reconstrução. A cidade, que teve mais de 300 edificações atingidas, permanece em situação de emergência decretada pela Prefeitura. As ações se concentram na limpeza, entrega de materiais e no levantamento completo dos danos provocados pelo fenômeno que também afetou municípios vizinhos, como Faxinal dos Guedes e Dionísio Cerqueira.

“Nossa resposta ao tornado que atingiu Xanxerê na última sexta-feira, 07 de novembro, foi imediata e incansável. Desde os primeiros momentos, nossas equipes estiveram mobilizadas, atuando com agilidade e dedicação na limpeza das áreas mais afetadas, na retirada de entulhos e na desobstrução das vias”, afirmou o prefeito Oscar Martarello.

Equipes municipais e estaduais atuam desde a noite do vendaval. Mais de 14 mil metros quadrados de lonas, 737 telhas e 480 cumeeiras foram distribuídos para atender 86 famílias diretamente afetadas em Xanxerê. Os serviços essenciais foram restabelecidos, e as vias liberadas. “Com o apoio do Corpo de Bombeiros, realizamos ainda na sexta-feira a entrega emergencial de lonas para proteger as residências danificadas. Já no sábado, foi organizada a distribuição de brasilites e goivos para todas as famílias cadastradas e atingidas pelo vendaval”, completou Martarello.

A Secretaria de Saúde realizou o cadastramento das famílias atingidas nos bairros, orientando sobre atendimentos e apoio psicológico. Em paralelo, a Defesa Civil intensificou o levantamento técnico e manteve a mobilização de agentes locais com foco na reconstrução e prevenção.

Recomeço nas áreas atingidas

O último tornado registrado em Xanxerê havia ocorrido em abril de 2015, deixando duas pessoas mortas, mais de 250 feridas e cerca de 2,6 mil imóveis danificados. O episódio marcou profundamente o município e levou à criação de novos protocolos de emergência e capacitações para agentes locais. Nove anos depois, a cidade volta a enfrentar ventos extremos, agora com uma estrutura de resposta mais organizada e parcerias ampliadas com o Estado.

Durante o fim de semana, o governador Jorginho Mello visitou Xanxerê e Dionísio Cerqueira para acompanhar o trabalho de recuperação e anunciou a construção de bunkers - salas seguras contra temporais - em escolas estaduais. O primeiro será instalado na Escola Jacob Maran, em Dionísio Cerqueira, destruída pelo tornado.

“Serão salas seguras, provavelmente em áreas úteis do colégio, mas com estrutura reforçada contra tornado e chuva forte. Vamos fazendo nas escolas que já vamos fazer grandes reformas e nas novas construções”, explicou o governador. As unidades atingidas começam a receber manutenção ainda nesta semana.

As ações de reconstrução envolvem Defesa Civil estadual, prefeituras, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Epagri e Celesc. Em Abelardo Luz, onde o vendaval destelhou 26 casas, a assistência também foi mantida, embora o município não tenha decretado emergência.

Tornados confirmados e análises técnicas

A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil confirmou a formação de três tornados no Oeste - em Xanxerê, Faxinal dos Guedes e Dionísio Cerqueira. As análises do radar meteorológico de Chapecó mostraram assinaturas típicas de rotação e detritos atmosféricos, como fragmentos de telhas e galhos, lançados pela força dos ventos.

De acordo com os técnicos, o fenômeno foi provocado por uma frente fria associada à formação de um ciclone extratropical sobre o Atlântico Sul, que gerou um ambiente instável, com nuvens de grande desenvolvimento vertical, descargas elétricas e granizo. A passagem rápida e intensa das correntes ascendentes e descendentes criou as condições ideais para os tornados confirmados.

Em Xanxerê, rajadas chegaram a 86 km/h. Além das residências, escolas e estruturas públicas sofreram danos. Nos dias seguintes, a limpeza das vias e a entrega de telhas no Parque da Femi marcaram o início da reconstrução.

Sistema de alertas e prevenção

A Defesa Civil de Santa Catarina reforça que o sistema meteorológico foi amplamente monitorado e que alertas preventivos foram enviados à população por SMS, WhatsApp e Cell Broadcast. O órgão também destaca a importância da comunicação direta e do planejamento municipal para reduzir danos em eventos extremos.

O meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, em artigo publicado no site MetSul Meteorologia no dia 11 de novembro, refletiu sobre o tema e destacou que “uma previsão perfeita não teria impedido o desastre dos tornados”. Segundo ele, assim como incêndios exigem infraestrutura e planos de prevenção, os desastres por vento dependem de preparo estrutural e não apenas da previsão meteorológica.

“Sem um sistema impecável de prevenção, que não inclui apenas a previsão meteorológica, não há como impedir desastres como os ocorridos pelos tornados”, escreveu Nachtigall. O especialista lembrou que o risco já havia sido alertado desde a véspera, com avisos emitidos para o Oeste catarinense e o Paraná.

Recuperar, prevenir, resistir

Passados os dias mais críticos, o Oeste catarinense entra em fase de recuperação. O sistema meteorológico que provocou os tornados se deslocou para o oceano, e as chuvas diminuíram. Ainda assim, a Defesa Civil mantém equipes mobilizadas e reforça o cadastro de famílias afetadas, especialmente na região da Associação dos Municípios do Alto Irani (Amai).

Nas escolas, o projeto dos bunkers simboliza o início de uma nova etapa: aprender com a força dos ventos e transformar a experiência em prevenção. A reconstrução das casas, o restabelecimento das rotinas e o cuidado com a população atingida se tornam o elo entre o que o vento levou e o que a solidariedade tem reconstruído, tijolo por tijolo, em Xanxerê e no Oeste de Santa Catarina.

Previsão do tempo
De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, os próximos dias no estado. Na sexta-feira (14), o tempo será semelhante ao de quinta-feira, com variação de nuvens e possibilidade de pancadas de chuva e trovoadas isoladas no Grande Oeste, especialmente à tarde. As temperaturas mínimas variam entre 10°C e 13°C nos planaltos e entre 15°C e 19°C nas demais regiões, com máximas de até 27°C no Grande Oeste. O vento predomina de nordeste, fraco a moderado.
No sábado (15), o calor e uma baixa pressão no interior do continente mantêm o tempo instável, com pancadas de chuva e risco de temporais isolados no Oeste catarinense, especialmente à tarde e à noite. 
No domingo (16), a instabilidade aumenta com a aproximação de uma frente fria do Rio Grande do Sul, provocando chuva e temporais a partir do final da manhã nas áreas de divisa com Santa Catarina.

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