Ipuaçu


O que o novo agroglifo revela em Ipuaçu

Mais complexos e detalhados, os agroglifos seguem intrigando moradores e especialistas, que divergem sobre sua origem
07/11/2025 às 12:37 Atualizado: 14/11/2025 às 23:24
por Deisiana Damarat

Um novo desenho surgiu nas plantações de trigo de Ipuaçu, no Oeste de Santa Catarina. O formato foi percebido logo pela manhã de segunda-feira (3), em uma área próxima à rodovia. Quem passou pela entrada da cidade notou as marcas: um grande círculo, outro menor no centro, triângulos e linhas trançadas que se cruzam formando figuras geométricas perfeitas.

Os registros desse tipo de fenômeno costumam ocorrer entre setembro e novembro - época em que o trigo está mais flexível, o que favorece o aparecimento dos desenhos. Desde 2008, Ipuaçu repete essa rotina de mistério. Todos os anos, conforme o trigo amadurece, moradores e curiosos voltam a esperar pelos círculos que misturam tradição, espanto e curiosidade.

O primeiro foi em 9 de novembro de 2008, na comunidade de Toldo Velho. O desenho tinha 19 metros e surgiu a poucos metros do asfalto. Alguns afirmaram ter visto uma luz no céu, outros viram uma nave se aproximar, ao contrário de outros que pensaram ser brincadeira de crianças. A notícia correu rápido. Em poucos dias, dois mil visitantes foram até a lavoura.

Nos anos seguintes, as figuras se repetiram. Em 2009, uma seta de 44 metros. Em 2011, oito círculos ligados por linhas. E, desde então, o fenômeno segue com frequência quase anual. Alguns desenhos são simples, outros complexos - e é aí que mora a dúvida.

Para ufólogos como Luiz Prestes Junior, os agroglifos de Ipuaçu vêm ficando mais sofisticados com o tempo. “Em 2008 era só um círculo. Hoje há triângulos e linhas trançadas, como se fossem tramas geométricas. A cada ano, parecem mais elaborados”, contou.


Verdadeiro ou feito por mãos humanas?

Nem todos concordam que o fenômeno tenha origem extraterrestre. Céticos e estudiosos de engenharia afirmam que a precisão dos desenhos pode ser obtida com o uso de drones e cordas, uma prática comum em países europeus.

Ainda assim, Luiz diz que há sinais que diferenciam os falsos dos autênticos: “Quando é verdadeiro, o caule do trigo se entorta, mas não quebra. As plantas ficam deitadas na mesma direção. Já quando é humano, o caule se parte e há marcas de pegadas e pneus.”

Os pesquisadores também observam mudanças eletromagnéticas nas áreas onde os círculos aparecem. “Às vezes o celular não pega sinal fora, mas funciona dentro do agroglifo”, afirma.

A história dos agroglifos acabou virando parte da identidade da cidade. Na página oficial da prefeitura, há até um tópico: “Conheça os Agroglifos de Ipuaçu.”

Angélica Vuelma, interlocutora do Turismo, afirma que o município pretende aproveitar o interesse crescente. “Para 2026, a ideia é capacitar a comunidade para receber visitantes, realizar feiras, encontros e palestras sobre o tema”, explicou. 

Segundo ela, a cada nova aparição aumenta o número de turistas, curiosos e equipes de reportagem que chegam à região. “O fenômeno trouxe visibilidade e ampliou a diversidade cultural e turística do município”, afirma Angélica.


Mistério que atravessa o tempo

Os registros de figuras em plantações não são exclusivos de Ipuaçu. De acordo com portais internacionais especializados, como o britânico Temporary Temples, os círculos nas lavouras são observados há décadas em vários países, sempre durante o período de cultivo. A maior parte aparece em plantações de trigo, cevada e milho.

As teorias variam. Alguns acreditam em redemoinhos de vento ou em energias da Terra. Outros veem conexões cósmicas ou simples obras humanas feitas com precisão.

Em Ipuaçu, ninguém tem certeza. Mas todo ano, quando as espigas ficam douradas e as colheitadeiras ainda não passam, a mesma expectativa volta a se espalhar: será que eles voltaram?

Fotos: Ismael Nunes da Silva

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