Produtores protestam e pedem medidas para o leite
Produtores de leite de várias cidades do Oeste catarinense se reuniram na manhã de terça-feira (28) em uma manifestação às margens da BR-282, no trevo do distrito de Baía Alta, em Ponte Serrada. Segundo reportagem do Oeste Mais, o grupo cobrou medidas do governo para enfrentar as dificuldades do setor.
Durante o ato, os produtores estenderam faixas e cartazes com mensagens como “produtores de leite de SC pedem socorro” e “o produtor de leite não aguenta mais, pare com a importação já”. A mobilização reuniu agricultores de municípios como Xanxerê, Ponte Serrada, Abelardo Luz, Xaxim, Faxinal dos Guedes e Passos Maia.
“O produtor está num momento que não está mais conseguindo pagar o que deve, escolhendo o que vai pagar. Está muito difícil a situação”, afirmou o produtor e vereador de Xanxerê, Eleandro Francisco Arsego, que produz cerca de 33 mil litros de leite por dia. “Estamos reunidos para chamar a atenção [das autoridades], para ver se alguma atitude acontece, antes que parem todos esses produtores.”
“O custo da produção é sempre o mesmo, mas o preço de venda cada vez abaixando mais”, disse o agricultor Ivonei Luvison, do assentamento Zumbi dos Palmares, em Passos Maia, que produz mais de 1,3 mil litros de leite por dia.
Fotos: Divulgação



Audiência em Brasília
Uma audiência pública marcada para 4 de novembro, às 14h, em Brasília, deve tratar da situação do setor. O deputado federal Valdir Cobalchini (MDB-SC) confirmou a reunião no Plenário 6 do Anexo II da Câmara dos Deputados.
O encontro deve reunir representantes dos ministérios da Agricultura e Pecuária e das Relações Institucionais, além de técnicos da Embrapa, Anvisa, Fiocruz e organizações de produtores. O Sindileite-SC também participa e defende medidas como fiscalização mais rigorosa da entrada de lácteos importados, política de preço mínimo e compras públicas emergenciais.
“O produtor está à beira do colapso. Ou encontramos uma saída agora, ou milhares de famílias vão abandonar a atividade”, alertou o parlamentar.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que o preço médio do litro de leite pago ao produtor brasileiro em outubro é de R$ 2,22, ante R$ 2,66 no mesmo período de 2024. Em Santa Catarina, o valor médio é de R$ 2,14, enquanto o custo de produção supera R$ 2,20.
Epagri orienta produtores a reduzir custos e manter produção
Em entrevista à Folha Regional, extensionistas da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) orientam os produtores a manter a produção e buscar estratégias para reduzir custos. Entre as medidas estão o uso racional de ração, a venda de animais com baixa produtividade e o ajuste do plantel.
“O produtor tende a reduzir o fornecimento de ração aos animais, como forma de reduzir custos. Além disso, realiza a venda de animais pouco produtivos e novilhas, como forma de se capitalizar e complementar renda”, afirmam os técnicos Ana Luiza Meneguini, Edy Alexandre Bortoluzzi e Murilo Renan Motta.
A Epagri recomenda também o uso estratégico de feno, pré-secado e silagem, além do acompanhamento constante dos custos de produção para definir o sistema mais adequado a cada propriedade.
Produção à base de pasto
O sistema de produção de leite à base de pasto tem sido apontado como alternativa para reduzir gastos e manter rentabilidade. O modelo utiliza pastagens perenes, suplementação no cocho e manejo planejado de silagem e feno.
“Quando falamos em produção sustentável, nos referimos à qualidade do solo, manejo da água, bem-estar animal, qualidade de vida do produtor, humanização da mão de obra e estabilidade financeira”, explicam os técnicos da Epagri.
Segundo o gerente do Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf) e presidente do Conselho Brasileiro de Qualidade do Leite (CBQL), Vagner Miranda Portes, o sistema de pasto tem contribuído para a produtividade catarinense. “A maioria dos sistemas produtivos do Estado utiliza o sistema de pasto, o que nos leva a acreditar que ele é uma mola propulsora para a produtividade catarinense”, afirma.
Apoio técnico e políticas públicas
A Epagri oferece assistência técnica e programas como o Financia Leite SC, o Pronampe Leite e kits de forrageiras, com foco em melhorar a qualidade e a rentabilidade da produção. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Santa Catarina registrou aumento de 7,5% na produção de leite nos últimos dez anos, com o Oeste respondendo por quase 80% do total estadual.
Para os técnicos, o sistema de pasto garante mais autonomia e estabilidade ao produtor. “O sistema oferece mais autonomia, permitindo que ele preserve a rentabilidade mesmo em cenários adversos”, comenta Vagner Portes.
O manejo adequado do solo e o planejamento das pastagens são considerados fatores essenciais para reduzir custos e manter a produção competitiva na região.
