Xanxerê


RFCC de Xanxerê encerra mês com acolhimento

Há 36 anos, entidade oferece suporte a mulheres após o diagnóstico de câncer e amplia ações de conscientização durante o Outubro Rosa
31/10/2025 às 10:31 Atualizado: 07/11/2025 às 20:00
por Deisiana Damarat

A Rede Feminina de Combate ao Câncer (RFCC) de Xanxerê aproveita o encerramento do mês de conscientização sobre o câncer de mama para destacar seu trabalho de acolhimento e suporte às mulheres com diagnóstico da doença. Fundada em 21 de agosto de 1989 por Cilda Marchi, com apoio da Rede-Madrinha de São Miguel do Oeste, a entidade inaugurou, em 2003, sua sede própria, cedida e reformada pelo empresário Luiz Alberto Boni, ampliando os serviços oferecidos.

A estrutura possibilitou a oferta de psicoterapia, fisioterapia e terapia ocupacional. O primeiro volume do livro de receitas Sabor e Saúde ajudou a equipar o espaço, que se tornou referência no acompanhamento das chamadas “vitoriosas”, como são conhecidas as mulheres atendidas pela instituição.

A atual presidente da RFCC de Xanxerê, Jocélia Maria de Araújo, destaca que o trabalho vai além do tratamento físico. “Muitas das nossas vitoriosas relatam que aqui é a segunda casa delas. Elas participam das oficinas e não falam em doença ou dor. Aqui é só alegria. Todos os trabalhos são terapêuticos, para que se sintam acolhidas e bem recebidas”, afirma.

A entidade não realiza exames preventivos. O foco é o atendimento pós-diagnóstico, com suporte técnico e emocional. A equipe conta com fisioterapeuta, nutricionista, assistente social e psicóloga. “Durante o Outubro Rosa, intensificamos a conscientização sobre prevenção, pois sabemos que 95% dos casos de câncer de mama e de colo do útero têm cura quando detectados no início”, explica Jocélia.

Conscientização e acesso

Embora não identifique diretamente mulheres em risco, a Rede busca estimular o autocuidado e a procura por exames. “Nosso papel é divulgar e lembrar que é importante fazer o preventivo e a mamografia. Agora, inclusive, mulheres de 40 a 49 anos podem fazer o exame gratuitamente pelo SUS, mesmo sem sintomas. Isso é um avanço importante”, ressalta a presidente.

A RFCC mantém divulgação constante nas redes sociais e em palestras. As atividades também servem como lembrete para que outras mulheres busquem o diagnóstico precoce. “Quando as pessoas ouvem falar da Rede Feminina, associam à importância de se cuidar. Às vezes, é o que falta para a mulher procurar o médico”, acrescenta.

A manutenção das atividades é o principal desafio da entidade, que é sem fins lucrativos. “Nossa ação é diária, com atendimento técnico e de apoio. Também levamos assistência aos lares de quem não pode se deslocar, com visitas de fisioterapeuta e psicóloga. Muitas vezes, ajudamos com alimentos e materiais de higiene recebidos por doação”, explica Jocélia.

Atualmente, a Rede atende 125 mulheres e duas crianças. Apesar do número, a presidente acredita que há pessoas na cidade que ainda não buscam o serviço. “Algumas preferem se reservar, não querem ser identificadas. Por isso, reforçamos nas palestras que o atendimento é imediato e humanizado”, diz.

Trabalho das voluntárias

O envolvimento das voluntárias é essencial nas atividades da sede. Elas participam em oficinas de meditação, auriculoterapia, artesanato, reiki, hidroginástica e culinária. “Todas são capacitadas e orientam nossas vitoriosas sobre prevenção e hábitos saudáveis”, explica Jocélia.

A presidente observa também que o engajamento da comunidade tem aumentado. “Percebemos uma evolução na conscientização. Mais pessoas usam rosa, colocam a cor nas vitrines, participam das ações. Entidades e cooperativas, como o Sicoob, têm apoiado muito”, afirma.

Mesmo com os avanços, Jocélia lembra que o trabalho da RFCC segue sem pausa, especialmente ao fechar mais um Outubro Rosa. “Sempre haverá mudanças e melhorias a fazer. Nosso objetivo é manter as portas abertas, ampliar os atendimentos e evitar filas. Se for preciso, contratar mais profissionais para suprir a demanda”, pontua.

A mensagem da instituição é clara: a prevenção continua sendo o caminho mais seguro. “É fundamental se cuidar, se amar e conhecer o próprio corpo. Fazer o autoexame e manter as consultas em dia, no mínimo uma vez por ano, é essencial. Sabemos que 95% dos casos detectados precocemente têm cura - e prova disso são as nossas vitoriosas”, conclui Jocélia.

Fotos: RFCC Xanxerê 
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