Política


Caroline De Toni: região pode ter senadora em 2026

Em entrevista ao Folha Regional, deputada Federal catarinense comenta a presidência da CCJC, o equilíbrio entre os Três Poderes e planos políticos para o próximo pleito
31/10/2025 às 09:26 Atualizado: 07/11/2025 às 20:11
por Deisiana Damarat

Deputada federal em segundo mandato, Caroline De Toni (PL), 39 anos, ganhou projeção nacional ao presidir a CCJC em 2024, onde pautou debates sobre limites do Judiciário e defesa da autonomia do Legislativo. Catarinense de Chapecó e com base em Xanxerê, ela se consolidou como uma das principais lideranças conservadoras do país. Agora, surge como um dos nomes mais fortes do partido para o Senado em 2026, defendendo que o Oeste catarinense “precisa ocupar o espaço que historicamente lhe foi negado”.

Em 2024, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), uma das mais relevantes da Câmara. Quais foram as principais conquistas e projetos aprovados durante o mandato, e quais temas estratégicos foram priorizados nesse período?

Presidi a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania em 2024, e tivemos um ano extremamente produtivo. A CCJC foi palco de debates históricos e de importantes vitórias para o Parlamento e para o Brasil. Entre as principais conquistas, destaco projetos que defendem a vida, o equilíbrio entre os Poderes, a liberdade individual, a propriedade privada, a segurança jurídica, a segurança no campo. Aprovamos matérias relevantes, como: PEC 8/2021, que limita decisões monocráticas no Supremo; PL 4754/2016, que tipifica como crime de responsabilidade a usurpação de competência por ministros do STF; PL 1169/2015, que garante a possibilidade de recontagem física dos votos; PEC 45/2023, que criminaliza o porte e a posse de drogas; PL 709/2023, que proíbe invasores de terra de receberem benefícios públicos; PL 1366/2022, sancionado como Lei nº 14.876/2024, retirando a silvicultura do rol de atividades potencialmente poluidoras; e a PEC 164/2012, que reafirma o direito à vida desde a concepção. Também fizemos uso estratégico de um instrumento pouco usual (a avocação de relatorias), o que nos permitiu avançar em temas relevantes, como o decreto de armas e o projeto contra invasores de terra, ambos com impacto nacional. Mesmo diante de obstruções em matérias sobre liberdade de expressão, conseguimos aprovar projetos importantes em áreas sensíveis, como segurança pública, agronegócio e direitos individuais.

Durante seu mandato como presidente da CCJC em 2024, como percebeu o equilíbrio entre os Três Poderes, especialmente no que se refere à atuação do Judiciário? Quais medidas o Legislativo pode adotar para fortalecer a harmonia entre as instituições?

O que buscamos na CCJC foi justamente resgatar o equilíbrio entre os Três Poderes. Vivemos um momento em que decisões judiciais têm invadido competências do Legislativo e do Executivo, e isso compromete a separação de poderes prevista na Constituição. Ao aprovar projetos como a PEC das decisões monocráticas e o PL que tipifica o ativismo judicial como crime de responsabilidade, demos um passo concreto para restaurar o papel do Parlamento como voz legítima da sociedade. O fortalecimento da harmonia entre as instituições passa pela autonomia de cada Poder, mas também pelo respeito aos limites constitucionais de cada um deles.

Seu nome tem sido mencionado como candidata ao Senado em 2026, com apoio de lideranças como o governador Jorginho Mello e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Já foi tomada a decisão de trocar a disputa pela reeleição na Câmara pela busca por uma vaga no Senado?

Neste momento, sigo como pré-candidata ao Senado. É uma decisão construída com muito diálogo, ouvindo as bases, lideranças políticas e a população catarinense, que tem manifestado esse desejo de ver Santa Catarina ainda mais forte no Senado.


Caso decida disputar o Senado, que pautas são fundamentais levar para essa nova função e por que Santa Catarina se beneficiaria de uma senadora com seu perfil e trajetória política?

As eleições de 2026 serão decisivas para o futuro do Brasil. Estaremos diante de uma escolha que definirá o rumo do país. O Senado renovará dois terços das cadeiras, e essa é a oportunidade de formar uma maioria verdadeiramente conservadora, que defenda valores como vida, liberdade, família e soberania nacional. Hoje, a direita ainda não tem maioria na Casa Alta, e isso limita nossa capacidade de atuação em temas essenciais, como as sabatinas de ministros, o controle de abusos do Judiciário e a análise de pedidos de impeachment de autoridades que extrapolam suas funções. Tenho orgulho de dizer que meu mandato sempre foi pautado por trabalho, transparência e coerência. Como presidente da CCJC, mostrei que é possível avançar com responsabilidade e firmeza. Como Líder da Minoria, temos tido um excelente avanço e resultado na fiscalização do governo Lula. E independente de onde estiver, quero continuar esse trabalho, honrando o povo catarinense e reforçando a presença de Santa Catarina nas decisões nacionais.

Há especulações sobre outros possíveis nomes dentro da base aliada que também podem disputar o Senado. Como é vista a importância da unidade da direita catarinense nesse processo e de que forma seu nome poderia contribuir para essa convergência?

Acredito que a unidade da direita é fundamental. O eleitor catarinense é majoritariamente conservador e quer ver esse sentimento representado no Senado. Em 2026, o eleitor votará em dois senadores. Meu objetivo é somar, não dividir.

A região Oeste, incluindo a AMAI, tem uma representação histórica mínima no Senado. Se eleita, pretende priorizar essa região em sua atuação, buscando compensar essa ausência política ao longo dos anos?

Sem dúvida. O Oeste é o coração produtivo de Santa Catarina, mas também uma região historicamente esquecida. Mais de 80% das minhas emendas parlamentares foram destinadas ao Oeste, só para a AMAI, os recursos já ultrapassam R$ 20 milhões. Em qualquer função que eu ocupar, essa prioridade não muda: valorizar quem trabalha, quem produz e quem sustenta o país com o seu esforço diário.

Na perspectiva do desenvolvimento regional, quais são os principais projetos de infraestrutura ou de fomento econômico do Oeste catarinense que são estratégicos e que pretende defender em Brasília?

A duplicação da BR-282 é uma das nossas maiores bandeiras. É a espinha dorsal do desenvolvimento do Oeste e precisa sair do papel de vez. Durante o governo Bolsonaro, tivemos avanços importantes, e o então ministro Tarcísio deixou a licitação do projeto encaminhada. Seguimos trabalhando para que essa obra seja uma realidade. Ela é vital para o escoamento da produção e para o crescimento econômico da região. No Extremo-Oeste, também temos batalhado pela construção da ponte de Itapiranga. E conseguimos avanços importantes tanto em São José do Cedro, com a conclusão do elevado, quanto na revitalização de concreto da BR-163 que pedimos ao presidente Bolsonaro e ao ministro Tarcísio. Obras que estavam paradas há mais de 10 anos finalmente tiveram continuidade e conclusão.

Mantém forte ligação com Xanxerê e com o Oeste catarinense. Qual a importância dessa base regional na trajetória política e como concilia as demandas locais com a atuação em nível nacional?

Sou de Chapecó, tenho raízes profundas no Oeste e hoje moro em Xanxerê. A proximidade com as pessoas sempre foi o diferencial do nosso mandato. Ouvir as bases, atender às demandas e transformá-las em propostas concretas é o que dá sentido à política. É assim que trabalhamos: de baixo pra cima, com os pés no chão e em sintonia com quem faz Santa Catarina acontecer.


Considerando que o mandato de senadora tem duração de oito anos, é possível vislumbrar ampliação da participação política em Santa Catarina no futuro, eventualmente com uma candidatura ao governo do estado?

O futuro pertence a Deus. Minha trajetória até aqui foi guiada por Ele, e sigo com o mesmo propósito: servir a Santa Catarina e ao meu Brasil. Não tenho projeto de poder, tenho projeto de missão. Agora o foco é o trabalho, é o pleito do próximo ano. O resto virá no tempo certo, conforme a vontade de Deus.

Tem uma atuação marcada por posicionamentos firmes e defesa de pautas conservadoras. Caso venha a ocupar uma cadeira no Senado, acredita que esse perfil continuará sendo o mesmo ou a função exigirá uma nova forma de atuação?

Meus princípios não mudam com o cargo. Fui eleita para representar o povo catarinense e os valores que acreditamos e isso é inegociável. O cargo pode mudar, mas o compromisso é o mesmo: defender a verdade, a liberdade e o Brasil. Quem me conhece sabe que não recuo diante de pressão. Permanecerei firme onde quer que eu esteja.

Fotos: Divulgação/Assessoria Caroline De Toni

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