Saúde


Butantan cria nova classificação de dengue para rastreamento

Estudo facilita monitoramento do vírus; Estado intensifica ações contra o Aedes aegypti diante do aumento de casos neste mês
16/10/2025 às 13:39 Atualizado: 23/10/2025 às 17:44 Instituto Butatan, Prefeituras de Xanxerê e Xaxim

Pesquisadores do Instituto Butantan definiram um novo sistema de nomenclatura para linhagens do vírus da dengue (DENV), que complementa a classificação por genótipo e facilita o rastreamento das variantes. O estudo, feito em parceria com 23 instituições, incluindo a Universidade Yale, foi publicado na revista PLOS Biology.

Segundo os cientistas, a dengue que circula nos últimos 20 anos apresenta pequenas variações que, até agora, eram difíceis de acompanhar. “A nova nomenclatura faz essa classificação de forma sistemática, permitindo, além da facilidade da identificação, a qualquer pesquisador classificar essas amostras”, afirma Alex Ranieri, bioinformata do CeVIVAS e do Laboratório de Ciclo Celular do Butantan.

O sistema hierárquico classifica os vírus por sorotipo, genótipo e linhagens maiores e menores, gerando nomes como DENV-3III_C.2.1. Cada nome carrega informações evolutivas, ajudando a identificar relações entre diferentes grupos virais, de forma semelhante ao esquema usado no SARS-CoV-2.

“Não havia uma forma padronizada de classificar o que estava abaixo do genótipo, dificultando tanto a análise da variedade do vírus nessa camada, quanto a comunicação científica e epidemiológica com as autoridades de saúde pública”, afirma James Siqueira Pereira, bioinformata do Butantan e aluno de doutorado na USP.

Nova nomenclatura e vigilância

A metodologia do estudo se baseou na análise de uma grande base de sequências genômicas do DENV, muitas delas geradas pelo próprio CeVIVAS. O sistema foi implementado em ferramentas como Genome Detective, GLUE e NextClade, permitindo a classificação mesmo com sequências parciais.

“Ao tornar o sistema compatível com as classificações existentes e demonstrar sua utilidade, pretendemos alcançar ampla aceitação e introduzir uma linguagem global verdadeiramente padronizada para discutir a diversidade genética do DENV”, diz James Siqueira.

A aplicação do sistema permite o rastreamento temporal de linhagens em diferentes locais e é útil em estudos de vacinas, transmissão e potencial virulência. “Este trabalho apresenta uma proposta robusta para padronizar o rastreamento de linhagens do vírus da dengue, com ferramentas públicas de precisão, mesmo com dados incompletos”, afirma Alex Ranieri.

A dengue em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) intensificou ações de prevenção e monitoramento do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, devido ao aumento de casos no período de chuvas. Em setembro, o Estado registrou 1.403 casos prováveis de dengue, contra 423 em agosto, um aumento de 230%. Até agora, em 2025, foram contabilizados 25.371 casos prováveis, sendo 17.859 confirmados.

“O controle do vetor é prioridade para reduzir o impacto da doença, mas também observamos vigilância e assistência dos casos suspeitos e confirmados”, explica o secretário de Saúde, Diogo Demarchi.

O governo estadual promove mutirões, capacitação de profissionais e atualização dos Planos de Contingência municipais. Técnicos treinam agentes de saúde para aplicação de inseticida residual e monitoramento de focos de Aedes aegypti, principalmente em regiões com maior circulação de pessoas.

Situação no Oeste

No Oeste de SC, Xanxerê confirmou em outubro dois casos de Chikungunya, somando 506 casos no município desde o início do ano. Os pacientes são dois homens, de 24 e 31 anos, moradores dos bairros São Pedro e Tacca. A Vigilância Epidemiológica já realizou busca ativa, inspeção de imóveis e tratamento com larvicida.

Em Xaxim, a Prefeitura confirmou um caso recente de dengue em 11 de outubro. O município reforça mutirões de limpeza, orientação nas escolas e monitoramento de armadilhas. “Mesmo com todo o trabalho realizado pelas equipes de saúde, o controle da dengue depende da colaboração de cada cidadão. É fundamental que todos façam a sua parte, eliminando focos e evitando o acúmulo de água parada”, reforça o secretário Eder Lussani.

A SES orienta que qualquer pessoa com febre alta, dores no corpo ou manchas na pele procure imediatamente a unidade de saúde mais próxima. Medidas simples, como esvaziar recipientes com água, limpar calhas e cobrir caixas d’água, ajudam a evitar a proliferação do mosquito transmissor.

Foto: Pixabay

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