Maio Furta-Cor: campanha promove conscientização sobre a saúde mental materna
No mês de maio comemora-se o Dia das Mães. Mas, além disso, é um mês oportuno para se discutir causas maternas, entre elas destaca-se a Mobilização Nacional pela Saúde Materna e o Maio Furta-Cor. Ambas as campanhas promovem ações de conscientização e visam sensibilizar a sociedade para a causa.
Segundo a psicóloga xanxerense e uma das coordenadoras das campanhas no município, Eliandra Solivo, a ideia principal é promover debates e conscientizar a população sobre o tema que não é tão falado. “Queremos trazer questionamentos sobre o que é saúde mental materna e por que devemos ter mais atenção com esse assunto no dia a dia. A campanha também visa mudar essa ideia de saúde mental apenas dentro de consultórios e levar isso para a sociedade”, diz a psicóloga.
De acordo com Eliandra, 75% das mulheres não têm um diagnóstico adequado relacionado aos aspectos emocionais durante o pré-natal e a cada duas mulheres, uma não consegue voltar ao mercado de trabalho depois da maternidade; a cada quatro mulheres, uma desenvolve sintomas de depressão pós-parto e, a cada cinco mulheres, uma mulher, ainda durante a gestação, já começa a desenvolver os sintomas de depressão que se estendem até um ano depois do nascimento.
“Quando uma mãe adoece mentalmente no período perinatal, temos um impacto significativo na qualidade de vida dessa mulher, no estabelecimento do vínculo mãe e bebê, e no desenvolvimento desse bebê. A família também sofre, pois muitas vezes ela não entende o que está acontecendo”.
A psicóloga destaca ainda que quando se fala de saúde mental materna não se refere apenas ao período da gestação. Diversas questões estão envolvidas nesse assunto, como querer ou não ter filhos, perdas gestacionais, luto, gestações de risco e gestações não planejadas. “A sociedade ainda não está preparada para lidar com essas questões e ela só não está preparada porque não é falado sobre isso adequadamente. Atendo muitas mulheres que só falam sobre esse assunto quando seus filhos já estão mais velhos. Por isso, sempre ressaltamos que a saúde mental materna não equivale somente à gestação e, sim, a todos os períodos de vida da mulher antes, durante e após o parto”, afirma.
Apoio familiar
Eliandra explica que quando uma mãe passa por algum transtorno mental, a família é fundamental durante o tratamento. Diante disso, deve-se ficar atento a sinais como isolamento, tristeza, choro frequente, dificuldade de falar sobre sentimentos.
“Primeiramente a família não pode ter esse tema como tabu e, na percepção de algo diferente, procurar conversar e ouvir. Uma das coisas mais importantes que podem ser feitas em casa é uma escuta sem julgamento e, escutando algo estranho sobre sentimentos ambivalentes, dificuldades de vinculação mãe e filho, sobre medos extremos, ansiedade e angústia, a família precisa oferecer ajuda e tentar levar até um profissional capacitado e sempre acompanhar e apoiar a mãe durante todo o tratamento”.
Eventos presenciais
Neste sábado (6), o grupo Gestare promove ações acerca da Mobilização Nacional pela Saúde Materna e o Maio Furta-Cor. O evento acontece na Praça Tiradentes (em caso de chuva será no estacionamento do Supermercado Gentil), das 8h às 17h.
Eliandra destaca que haverá diversas atividades ao longo do dia, entre elas conversas com profissionais, pintura de unha e design de sobrancelhas, dinâmicas interativas com acadêmicos de psicologia, barraquinhas de artesanato, fotografias, distribuição de pipoca e sorteio de brindes.
Além disso, haverá ainda um mamaço às 9h e as 15h. “Convidamos todas as mães do município para participar. Será um momento de troca de experiências e cuidados entre mães e seus bebês”, finaliza.
As ações contam com o apoio do Instituto Mix, Immunis Centro de Vacinas, Beto Propaganda, Mãe de Coração, Hospital Regional São Paulo, Móveis Calza, Thamara Marketing Estratégico, Lions International, CDL Xanxerê, Núcleo de Artesanato Xanxerê, Era Uma Vez Fotografia, curso de Psicologia da Unoesc e Comissão de Aleitamento Materno.
