Xanxerê


El Niño reacende alerta para temporais em Xanxerê

Histórico de tornado, enchentes e avanço de obras colocam município em atenção para novo ciclo do fenômeno climático
29/05/2026 às 11:25 Atualizado: 03/06/2026 às 19:01

Xanxerê volta a entrar em estado de atenção com a possibilidade de um novo ciclo do El Niño nos próximos meses. O fenômeno climático, ligado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, costuma aumentar o volume de chuva no Sul do Brasil e intensificar eventos severos no Oeste catarinense. Em uma cidade marcada pelo tornado de 2015 e por episódios recentes de alagamentos, o tema voltou ao centro das discussões entre Defesa Civil e prefeitura.

Segundo o coordenador municipal da Defesa Civil, Ronaldo Luzzi, o El Niño altera a circulação dos ventos sobre a América do Sul e favorece a formação de sistemas de nuvens carregadas. Esses sistemas provocam chuva intensa em pouco tempo e aumentam o risco de enxurradas, temporais e vendavais. Em Xanxerê, o cenário ganha peso pelo histórico do município e pela localização geográfica da região, conhecida por especialistas como parte do chamado “corredor dos tornados”.

O caso mais lembrado ocorreu em 20 de abril de 2015, quando um tornado atingiu Xanxerê no fim da tarde. O fenômeno foi confirmado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e deixou duas pessoas mortas, mais de 120 feridos e cerca de mil desabrigados. Aproximadamente 2,6 mil casas foram danificadas e cinco torres de transmissão de energia caíram durante a passagem dos ventos.

Na época, o tornado foi classificado entre F2 e F3 na escala Fujita, usada para medir a intensidade desse tipo de fenômeno. Conforme o Inmet, os ventos poderiam ter ultrapassado 270 quilômetros por hora. Carros foram arrastados, imóveis destruídos e bairros inteiros ficaram sem energia elétrica. O episódio ocorreu durante um dos ciclos mais fortes de El Niño registrados nos últimos anos.

Monitoramento e prevenção

Prefeitura iniciou limpeza e desassoreamento do Rio Xanxerê em trecho considerado crítico na área central

Além dos ventos, outro ponto de atenção é o comportamento do Rio Xanxerê em períodos de chuva intensa. A Defesa Civil explica que a bacia do rio é pequena e responde rapidamente ao aumento do volume de água. Em outubro de 2023, durante outro período influenciado pelo El Niño, áreas como o Centro e o bairro dos Esportes registraram alagamentos em curto espaço de tempo.

Para tentar reduzir os impactos, a prefeitura afirma que trabalha com ações de prevenção, monitoramento e resposta rápida. O município utiliza dados do Serviço Geológico do Brasil para identificar áreas de risco e impedir novas construções em locais considerados vulneráveis. Também são feitos trabalhos de ampliação de galerias pluviais e manutenção em pontos críticos da cidade.

Xanxerê também integra a rede do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O sistema conta com pluviômetros automáticos e régua hidrométrica para acompanhar o nível do rio e o volume de chuva em tempo real. A Defesa Civil orienta ainda que moradores façam cadastro para receber alertas por SMS pelo número 40199.

Outro foco do município está na comunicação entre os órgãos de resposta. Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar atuam integrados em grupos de atendimento rápido para situações de emergência. O objetivo é antecipar ações em casos de risco e orientar moradores sobre rotas de fuga e locais de abrigo.

Obras no rio e túnel

Obras do túnel de macrodrenagem fazem parte das ações de prevenção contra alagamentos no município

Dentro desse planejamento, a prefeitura iniciou um trabalho de limpeza e desassoreamento do Rio Xanxerê em um dos trechos considerados mais críticos da área central. A intervenção ocorre entre as ruas Nereu Ramos e Barão do Rio Branco, em uma extensão de aproximadamente 1,2 quilômetro.

Segundo o secretário de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, Leandro Marzari Silva, o serviço busca melhorar a vazão da água e diminuir os riscos de alagamentos. O trabalho inclui retirada de sedimentos, lixo e resíduos acumulados no leito do rio. Máquinas de diferentes tamanhos serão usadas conforme as condições de cada trecho.

A prefeitura também informou que prepara um projeto mais amplo para ampliar a limpeza do rio até a região da Perimetral Leste, além de intervenções em afluentes que passam por bairros como Veneza, Colatto e dos Esportes. O projeto foi encaminhado à Defesa Civil Estadual em busca de recursos para execução das obras.

Outra frente em andamento é a construção do túnel de macrodrenagem em Xanxerê. As obras começaram em abril e tiveram a primeira detonação de rochas nesta semana. A estrutura faz parte das medidas de drenagem urbana adotadas pelo município para tentar reduzir os impactos das chuvas fortes em áreas da cidade.

Mapa mostra o trecho do Rio Xanxerê que receberá os trabalhos de limpeza e desassoreamento na área central do município

Investimentos estaduais

Em nível estadual, Santa Catarina ampliou os investimentos em proteção e defesa civil nos últimos anos. Conforme dados divulgados pelo governo estadual, mais de R$ 900 milhões foram destinados à área entre 2023 e 2026. Os recursos incluem obras em barragens, desassoreamento de rios, ampliação da rede de monitoramento e entrega de equipamentos para municípios.

O Estado também informou que a rede hidrometeorológica passou de 42 para 172 estações de monitoramento. Os equipamentos atualizam informações a cada 15 segundos e ajudam no envio de alertas para regiões com risco de temporais, enchentes e deslizamentos.

Meteorologistas da Defesa Civil catarinense apontam que há cerca de 80% de probabilidade de início de um novo ciclo de El Niño entre julho e agosto. Em Xanxerê, a combinação entre previsão climática, histórico de desastres e características geográficas mantém o município em observação constante enquanto o céu volta a carregar sobre o Oeste.

Fotos: Prefeitura de Xanxerê

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