Segurança Pública


Problemas de saúde marcaram 28% dos acidentes no país

Levantamento da Abramet, realizado entre 2014 e 2024, aponta mais de 1,2 milhão de ocorrências ligadas a sono, mal súbito, falta de atenção e uso de substâncias
16/05/2026 às 14:19 Atualizado: 23/05/2026 às 16:56

Problemas de saúde física e emocional dos motoristas estiveram ligados a quase 28% dos sinistros registrados em rodovias brasileiras entre 2014 e 2024. Os dados são da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), com base em informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O levantamento analisou mais de 4,3 milhões de ocorrências registradas no período.

Segundo o estudo, 1.206.491 sinistros tiveram relação com fatores como sono, ausência de reação, falta de atenção, transtornos mentais, mal súbito, uso de álcool e outras substâncias, além de problemas motores, neurológicos e doenças oculares. O número representa 27,8% do total de registros nas rodovias federais do país ao longo de dez anos.

A pesquisa também aponta que o chamado “fator humano” foi responsável pela maior parte das ocorrências. Situações como excesso de velocidade, ultrapassagens em local proibido e outras falhas de comportamento no trânsito responderam por 49% dos sinistros registrados no período analisado.

De acordo com a Abramet, os fatores ligados à saúde e ao comportamento dos motoristas somam aproximadamente 80% das ocorrências nas estradas federais. A entidade destacou que os dados só puderam ser detalhados devido à metodologia utilizada pela PRF, que reúne informações sobre as circunstâncias de cada sinistro.

Quando o corpo falha

Além das questões relacionadas aos motoristas, o levantamento também analisou outros fatores ligados aos acidentes nas rodovias. Problemas na infraestrutura das estradas, como falhas no pavimento, geometria da pista e ausência de sinalização, representaram 8% dos casos registrados.

Já os problemas relacionados à conservação dos veículos apareceram em quase 7% das ocorrências. Entre os principais motivos estão falha nos freios, pneus desgastados, defeitos na suspensão e problemas nos faróis. Fatores ambientais, como chuva intensa, neblina e animais na pista, responderam por 4% dos registros.

O levantamento mostra ainda que o impacto dos problemas de saúde varia entre os estados brasileiros. Em locais com grande circulação de caminhões e viagens longas, os registros relacionados à fadiga, distúrbios do sono e uso de substâncias aparecem com mais frequência nos relatórios da PRF.

Roraima lidera proporcionalmente os registros ligados à saúde, com 35,1% das ocorrências. Mato Grosso do Sul aparece em seguida, com 32,1%, seguido por Pará, com 30,3%, Rio Grande do Sul, com 30,1%, e Piauí, com 30%.

Números no Sul

Em números absolutos, Minas Gerais registrou a maior quantidade de sinistros relacionados a problemas de saúde, com 154.648 casos. Paraná aparece na sequência, com 134.358 registros, seguido por Santa Catarina, com 120.665, Rio Grande do Sul, com 95.059, e São Paulo, com 84.250 ocorrências.

Entre os estados com menor número de registros estão Acre, com 4.219 casos, Amazonas, com 2.896, e Amapá, com 2.681 ocorrências contabilizadas no período analisado.

Para a Abramet, os números mostram que o debate sobre segurança no trânsito vai além das condições das rodovias e da fiscalização. O levantamento aponta que fatores ligados à saúde física e mental dos motoristas também têm impacto direto no trânsito das estradas brasileiras.

Foto: PRF/Divulgação

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Coletamos dados para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com nossa política de privacidade.