Anvisa intensifica fiscalização de canetas emagrecedoras
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou novas medidas para reforçar a fiscalização de medicamentos injetáveis conhecidos como canetas emagrecedoras. A ação busca coibir irregularidades na importação, manipulação e uso dessas substâncias no país.
O plano inclui o controle sobre insumos usados na produção de medicamentos com semaglutida, tirzepatida e liraglutida. A Anvisa aponta que a quantidade importada desses insumos não corresponde à demanda do mercado nacional.
Dados da agência mostram que, no segundo semestre de 2025, foram importados 130 quilos de insumos. Esse volume seria suficiente para a produção de cerca de 25 milhões de doses.
Em 2026, a Anvisa realizou 11 inspeções em farmácias de manipulação e empresas importadoras. Oito estabelecimentos foram interditados por problemas técnicos e falhas no controle de qualidade.
Fiscalização e riscos
O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, afirmou que as medidas têm foco no uso regular dos produtos. “Esse é um desafio regulatório não só para o Brasil, mas para as principais agências do mundo, essa situação do avanço do consumo de medicamentos derivados de GLP-1 e o avanço da manipulação em cima desses produtos”, disse.
A agência também identificou aumento de relatos de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos. Entre os casos, há registro de uso fora das indicações previstas em bula, como para emagrecimento sem necessidade clínica.
Entre os riscos apontados estão falhas na esterilização, problemas no controle de qualidade e uso de insumos sem identificação de origem. A Anvisa também cita a produção sem receita individualizada e a comercialização de produtos sem registro.
Desde janeiro, a agência publicou dez ações de proibição envolvendo produtos irregulares com essas substâncias. A orientação é que medicamentos injetáveis sigam padrões de controle para garantir segurança no uso.
Produtos proibidos
Foto: Lasca e Catedral Laboratório/Divulgação
No dia 14 de abril, a Anvisa determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral. Os produtos, segundo a agência, são de origem desconhecida e não têm registro, notificação ou cadastro no Brasil.
A medida também proíbe a comercialização, distribuição, importação e uso desses medicamentos. Eles são divulgados na internet como canetas emagrecedoras, mas não têm autorização sanitária.
Em nota, a Anvisa informou que não há garantia sobre o conteúdo ou a qualidade dos produtos. “não há qualquer garantia quanto ao seu conteúdo ou à sua qualidade. Por isso, não devem ser utilizados em nenhuma hipótese”.
A agência orienta que profissionais de saúde e pacientes comuniquem a identificação desses produtos. O contato pode ser feito com a própria Anvisa ou com a vigilância sanitária local.

