Jorge Luiz e os quase 50 anos de microfone
por Deisiana Damarat
Nesta sexta-feira (7), é celebrado o Dia do Radialista, data que homenageia profissionais que dedicam a vida à comunicação. Em Xanxerê, uma dessas vozes é a de Jorge Luiz Barfknecht, que há 46 anos está na Rádio Princesa.
Natural de Clevelândia, no Paraná, Jorge começou na emissora em novembro de 1979. Ele conta que a vontade de comunicar veio cedo. “Acredito que trabalhar no rádio é um dom, uma missão”, diz. O convite surgiu ainda na escola, por indicação da professora Solange Chilleme Guidini. “Eu participava das apresentações e eventos culturais. Comecei como operador de áudio, office-boy e auxiliar de redação, tudo ao mesmo tempo. Aos poucos fui domando o microfone, e com 16 anos já comandava programas.”
Entre os momentos marcantes da carreira, Jorge recorda coberturas que ficaram na memória. “Anunciar a vitória de Avelino Menegolla em 2016 foi incrível. Ninguém tinha certeza de nada, até eu anunciar a vitória por 24 votos”, lembra. Também cita momentos difíceis. “Anunciar a morte de Teixeirinha foi triste e provocou comoção em toda a região.”

Mudanças no ar
Com mais de quatro décadas de rádio, ele acompanhou as transformações do setor. “As mudanças técnicas e tecnológicas vieram para facilitar a nossa vida. Antigamente tudo era mais artesanal. Hoje temos ferramentas como o WhatsApp, que nos conectam com o ouvinte.”
Mesmo com tantas plataformas de comunicação, Jorge acredita que o rádio mantém sua essência. “O rádio tem comunicação ao vivo, tem paixão, tem o imediatismo. Está vivo e vai permanecer, pois entende e respeita a opinião de quem ouve.”
O desafio, segundo ele, é continuar despertando interesse. “O desafio é se manter atualizado e ainda provocar desejo de ser ouvido. Procuro me renovar todos os dias. Amo o que faço, e se deixar de amar, paro no mesmo dia”.
Entre paixão e compromisso
Para quem sonha em seguir o mesmo caminho, o conselho é direto. “Quem vai ingressar na carreira precisa ter em mente que o trabalho é de segunda a segunda, não tem domingo e nem feriado. Ninguém fica rico trabalhando em rádio. O nosso maior tesouro vem do reconhecimento popular.”
Depois de tantos anos de microfone aberto, Jorge Luiz não se imagina longe das ondas sonoras. “Eu sou o rádio, e o rádio é o Jorge Luiz. Somos inseparáveis”. Ele fala com serenidade sobre o que o move: “Atender um pedido musical, fazer uma homenagem de aniversário, uma oração pela saúde de alguém... isso tudo é o que eu vivo no meu dia a dia”.
No Dia do Radialista, celebrado em hoje, a voz de Jorge Luiz segue ecoando como parte da rotina de quem liga o rádio para se informar, se emocionar e se sentir acompanhado - exatamente como há mais de quatro décadas.


