Risco no copo: Comércio de bebidas redobra atenção com procedência
por Deisiana Damarat
O surto de intoxicações por metanol no Brasil em 2025, ligado ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, tem gerado atenção entre comerciantes e distribuidores do setor. O Ministério da Saúde (MS) confirmou, em balanço atualizado até 24 de outubro, 58 casos confirmados de intoxicação e 15 mortes. As ocorrências se espalharam por mais estados, com a maioria concentrada em São Paulo, mas também com casos confirmados no Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Tocantins.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o metanol é um tipo de álcool simples, identificado pela fórmula CH₃OH e líquido à temperatura ambiente. Altamente tóxico, o composto se transforma em ácido fórmico quando metabolizado pelo organismo, podendo causar cegueira, convulsões e morte. Diante dos casos registrados, o MS criou uma Sala de Situação para monitorar as intoxicações e solicitou à Organização Pan-Americana da Saúde o envio do antídoto Fomepizol.
Em Xanxerê, distribuidoras e o comércio de bebidas seguem em alerta, mesmo sem registros locais. “Isso do metanol acaba preocupando todo mundo. As distribuidoras e o comércio em geral ficam mais atentos, porque qualquer problema assim afeta a confiança dos clientes e o nome das marcas”, disse o empresário Henrique Nespolo, dono de uma distribuidora no município.
Cuidados e orientações
Nespolo afirmou que o setor recebeu orientações para reforçar os cuidados com a procedência das bebidas. “Rolaram algumas orientações, principalmente para reforçar o cuidado com a procedência dos produtos e sempre comprar de fornecedores confiáveis”.
Entre os principais cuidados adotados estão a verificação de rótulos, lacres e registros das marcas. “Conferir se os rótulos e lacres estão certinhos e só trabalhar com marcas que tenham registro e boa reputação”, explicou.
Mesmo com o aumento das notificações em outros estados, o empresário não percebeu mudança no comportamento dos consumidores locais. “Na verdade não muito, aqui não sentimos grande diferença”.
Fiscalização e conscientização
Para ele, o que mais ajudaria a conter a circulação de produtos adulterados é o aumento da fiscalização. “Acho que o que mais ajudaria seria fiscalização mais rígida e punição para quem faz esse tipo de coisa. Além disso, mais informação pro público sobre como identificar produtos suspeitos também faria diferença”.
Em resposta à nossa equipe de reportagem, a Prefeitura de Xanxerê informou que está atenta à situação, mas até o momento não houve registros de intoxicação no município. Já a assessoria jurídica da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) local avaliou que o tema poderia ser debatido entre prefeitos e entidades da região, com apoio da imprensa, em uma assembleia da Associação dos Municípios do Alto Irani (AMAI).
Contexto nacional e risco à saúde
Segundo o Ministério da Saúde, o metanol é um solvente industrial e não deve ser consumido por humanos. Quando ingerido, o corpo o transforma em substâncias tóxicas, como o formaldeído e o ácido fórmico, que afetam principalmente o sistema nervoso central e o nervo óptico.
A legislação brasileira, conforme normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), estabelece que bebidas destiladas não podem ultrapassar 20 miligramas de metanol por 100 mililitros de álcool anidro. Valores acima desse limite configuram infração sanitária e risco direto à saúde.
Nos casos mais graves, os sintomas podem surgir de 6 a 24 horas após o consumo e incluem visão turva, náuseas, vômitos, tontura e confusão mental. Em caso de suspeita de intoxicação, o MS orienta que a pessoa procure atendimento médico imediato e informe sobre o tipo de bebida consumida.
