Cinema na Linha leva filmes catarinenses ao meio rural
A região Oeste de Santa Catarina volta a ser palco do Cinema na Linha, projeto que leva produções audiovisuais catarinenses a comunidades rurais. A edição de 2025 terá sessões gratuitas em seis municípios: Arvoredo, Caxambu do Sul, Formosa do Sul, Marema, Nova Itaberaba e União do Oeste, entre 5 e 15 de novembro.
O projeto é desenvolvido pela Margot Filmes, com recursos do Edital Circuito Catarinense de Cultura 2024, da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), por meio da Política Nacional Aldir Blanc. A proposta é ampliar o acesso ao cinema e fortalecer a democratização cultural, valorizando espaços de convivência comunitária.
Curadoria e seleção dos filmes
A seleção dos cinco filmes foi feita pelos curadores Fernando Boppré e Flávia Person, que têm ampla trajetória no audiovisual e nas artes visuais em Santa Catarina. Boppré, escritor e curador radicado em Chapecó, é mestre em História Cultural e coordena o Cineclube Humana. Já Flávia Person é documentarista, pesquisadora e produtora cultural, com doutorado em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e obras premiadas em festivais nacionais.
As produções escolhidas incluem curtas de ficção e documentários que abordam temas como memória, trabalho, identidade, meio ambiente e diversidade cultural.
Vozes do projeto
Segundo Ilka Goldschmidt, da Margot Filmes, o foco da mostra é refletir a pluralidade do cinema catarinense.
“Quando abrimos as inscrições para a mostra, pensamos em trazer como foco para os nossos curadores a pluralidade no nosso Estado. Tanto cultural, quanto temática e estética, que mostre a amplitude das pesquisas e do trabalho desenvolvido no cinema em Santa Catarina”, afirmou.
Para Cassemiro Vitorino, também integrante da Margot Filmes, o Cinema na Linha cria um ambiente acessível e participativo.
“A ideia é criar uma experiência cultural acessível para a comunidade: cadeiras de praia, chimarrão, pipoca, música ao vivo e conversas sobre cinema fazem parte desse ambiente que transforma o cotidiano”, destacou.
Ilka complementa que o projeto é “um espaço de encontro, memória e afeto entre o cinema catarinense e o coração das comunidades do interior. Um momento e um movimento que é direito das comunidades”.
Exibições em Marema e região
Em Marema, a sessão será no dia 5 de novembro, às 19h30, no Campo Municipal (saída para Linha Carlos Gomes). O público poderá assistir aos filmes ao ar livre, em um telão inflável, com entrada gratuita.
As próximas exibições ocorrem nos seguintes locais e datas:
- 07/11 – Formosa do Sul – Linha Barão do Triunfo, 19h30
- 08/11 – Arvoredo – Linha Lomba Grande, 19h30
- 11/11 – Caxambu do Sul – Linha Dom José, 19h30
- 14/11 – Nova Itaberaba – Linha Bela Vista, 19h30
- 15/11 – União do Oeste – Linha São Luiz, em frente à praça, 19h30
Filmes selecionados
1. A Cidade que Tinha um Cinema
Documentário (20’) – Direção: Daniela Farina – Xaxim (SC)
Sinopse: três crianças descobrem o antigo cinema da cidade e, por meio das lembranças dos moradores, resgatam a memória do Cine Guarany e o papel da arte nas pequenas comunidades.
2. Compartir dos dias
Documentário (20’) – Direção: Guilherme Cavichioli – Chapecó (SC)
Sinopse: acompanha o cotidiano de três trabalhadores estrangeiros que vivem no Brasil, revelando suas formas de convivência e pertencimento.
3. Mira
Documentário (13’) – Direção: Júlia Rizzo – Havana (Cuba)
Sinopse: um encontro entre diretora e menina unidas por uma condição congênita, em um convite para redescobrir o olhar sobre o cotidiano.
3. Olharte: a negritude na arte que segue
Documentário (20’) – Direção: Alessandra Cristina Favretto – Chapecó (SC)
Sinopse: retrata o artista Jean Magnus, o “Olharte”, que utiliza o graffiti como expressão da identidade negra e instrumento de resistência.
4. O Monstro do Pântano do Sul
Ficção (16’) – Direção: Marko Martinz – Florianópolis (SC)
Sinopse: uma menina tenta desvendar o mistério do monstro que assombra um acampamento escolar, revelando reflexões sobre o meio ambiente.
