Comunidade


Pessoas em situação de rua e dependentes químicos encontram apoio na Missão S.O.S Vida

Por: Francieli Corrêa 21/01/2022 às 11:21 Atualizado: 28/01/2022 às 13:16

Com a intenção de ser uma porta aberta para pessoas que vivem em situação de rua e dependentes químicos buscando uma chance de se reestruturar, nasceu a Missão S.O.S Vida, há 20 anos, em Pato Branco/PR, através da iniciativa jovens de um grupo de orações. Atualmente com filiais em Chopinzinho/PR e Xanxerê, onde foi inaugurada em 2019, com a ajuda da paróquia, a instituição acolhe homens encaminhados pelo hospital, assistência social, pela própria paróquia, casa de apoio de Chapecó, pelos familiares ou que chegam diretamente até o local. 

Sempre que há um chamado, o coordenador em Xanxerê, Sidnei Vendruscolo sai com a Kombi da instituição para buscar um novo morador. Na Missão S.O.S Vida, os acolhidos ganham refeições, roupas, atendimento psicológico, são levados ao médico e dentista quando necessário e até ajuda para conseguir arrumar a documentação pessoal, tudo sem nenhum custo.

“A maioria dos acolhidos chega aqui sem nada, sem documentos, sem medicamentos, só com a roupa do corpo, sem dignidade na verdade, e aqui a gente tenta levantar a autoestima deles. Encaminhamos fara fazer os documentos, consultas, medicamentos, para o que precisar. A maioria chega bem debilitada, então a gente o encaminha primeiro para tomar um banho, se alimentar, depois passa pela psicóloga e aí tem um período para ele se adaptar”, explica Sidnei.

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Muitos dos acolhidos têm problemas com dependência por bebida alcoólica, por isso o serviço oferecido pela Missão vai além de oferecer um teto, mas também o apoio para se manter longe do vício. Quem chega ali passa por um tratamento que pode durar de seis meses a um ano, ou mais conforme a necessidade. 

Como não são obrigados a permanecer, alguns acabam desistindo, mas muitos completam o tratamento e conseguem voltar ao convívio familiar e social, ou passam a trabalhar para a Missão de forma voluntária, como é o caso de Sidnei e do seu Albino da Silva, que é monitor da casa em Xanxerê. Ambos chegaram à Missão como acolhidos, por precisarem de ajuda para se manter longe do vício em bebida alcóolica, e, hoje, ajudam outras pessoas que passam por situações parecidas. 


“Há 2 anos e meio eu cheguei como acolhido, em Pato Branco, bem debilitado como a maioria dos acolhidos chega. Fui um dependente de álcool, não era muito de rezar, apesar de toda minha família ser católica. Com 20 dias que eu estava na missão, alguém me convidou a fazer uma adoração ao Santíssimo e a partir daquele momento minha vida começou a mudar”, relata Sidinei.

Após dois meses, ele passou a ser coordenador dentro da Missão e não quis mais deixar o local, há cerca de três meses foi transferido para Xanxerê, para coordenar a casa de apoio no município. Ambos tinham emprego e casa, mas não conseguiam se livrar do vício sozinhos e encontraram na Missão apoio para vencê-lo. 

“Entrei na Missão dia 05 de agosto de 2015, para ficar dois meses como acolhido e já vai fazer sete anos que estou nela. É um trabalho gratificante, hoje estou como voluntário, fiquei em Pato Branco, depois fui para Chopinzinho e agora estou aqui desde o início. É minha missão e sou muito grato. Eu era dependente de álcool e cheguei na Missão por intermédio do meu filho e de um irmão. No começo não queria vir, não admitia o vício, era bem empregado, tinha meu dinheiro. Até que fiz um trato com meu filho para ficar dois meses e não sai mais”, conta seu Albino. 

Segundo ele, que está na casa de Xanxerê desde sua inauguração, cerca de 150 pessoas já passaram pela Missão S.O.S vida, no município, desde 2019. Ligada à igreja católica, a entidade incentiva a prática da fé e conta com uma capela ao lado do alojamento, mas pessoas de outras religiões são livres para segui-las. A rotina é bem definida e dividida entre orações, algumas horas de trabalho dentro da própria instituição, conversas com a psicóloga, refeições e outras atividades. Conforme destaca o coordenador, o trabalho da Missão é baseado em três princípios: “Oração, disciplina e trabalho”

“Eu sempre falo para os acolhidos que não é em seis meses que a gente vai se recuperar. Nossa recuperação é para a vida toda, nossa doença é incurável, progressiva e fatal. Nós temos que se agarrar primeiramente com Deus e ter disciplina também, porque se tiver aqui dentro com certeza vai ter lá fora, vai ter seus horários e suas responsabilidades. O que a gente quer é que as pessoas saiam daqui e vão para a sociedade viver a sua vida. Alguns permanecem aqui, porque em alguns casos, tem acolhido que a família não quer mais, e aí não adianta a gente fazer o trabalho de um ano com ele e depois colocar na rua de novo, então onde come um comem dez e que fique aqui, que pelo menos está seguro. Se for para sair, que seja empregado, para a família, para não recair novamente”, comenta o coordenador Sidnei. 

Além da casa que tem lugar para 18 pessoas - mas que já chegou a abrigar 26, há uma capela que foi transportada da Linha São Lourenço, para que possam ser realizadas as orações diárias e outras celebrações no local, há também uma horta, criação de galinhas, porcos, bovinos e pequenas plantações de mandioca e milho, tudo mantido pelos acolhidos, assim como o preparo das refeições e a manutenção da casa - cada morador tem suas atribuições definidas. 

Seu Albino mostra móveis e obras de arte criadas por acolhidos que estão ou passaram pela casa

Toda ajuda é bem-vinda

O trabalho do Sidnei e do seu Albino é totalmente voluntário. Eles vieram do Paraná para cuidar da casa em Xanxerê, onde permanecem por tempo integral. O local não recebe recursos governamentais e se mantém através da solidariedade de entidades, empresários e moradores, além da venda das saladas e de bolachas artesanais que são produzidas em Pato Branco. A Alcaplas é uma das que ajuda, levando tampinhas de garrafa pet para os acolhidos selecionarem e paga por esse serviço. A Vicini Pneus e o posto AE Combustíveis, também são empresas que colaboram. Mas os gastos para manter a casa de apoio são altos. 

Segundo Sidnei é gasto mensalmente mais de R$ 1,3 mil apenas em gasolina, de quatro a cinco botijões de gás e aproximadamente R$ 800,00 de luz. Valores que variam conforme a quantidade de acolhidos no momento. 

“A gente enquanto Missão S.O.S Vida explica que não quer dinheiro, a gente quer que as pessoas ajudem deixando uma gasolina, um botijão de gás pago e que que as pessoas venham aqui conhecer a obra e conversar conosco, para ver que a gente é transparente no que faz, com as doações que recebe”. Ele conta que o dinheiro que entra para fica num caixa da paróquia. Eles não guardam nenhum valor no local, até por uma questão de segurança.

Pedidos 

São vários os pedidos para deixar o local ainda melhor. Um deles é para uma máquina de lavar roupas. Um dos acolhidos é responsável por lavar as roupas de todos e, para isso, apenas uma máquina está funcionando, mas já com sinais de que logo vai parar.

Atualmente, eles têm dois botijões de gás, cujos cascos foram doados por um comerciante para que sejam utilizados enquanto for preciso, só é cobrada a recarga. Como eles precisam ser recarregados mais de uma vez por mês e levando em consideração o preço do gás no momento, a doação de um industrial poderia ajudar bastante, segundo eles. 

Outro pedido seria para uma TV. Na sala há dois aparelhos, que também mal funcionam. Sidnei explica que é permitido assistir apenas a Rede Aparecida, jornal e futebol. A intenção é ter um aparelho melhor, para colocar no refeitório e todos ter essa opção de lazer, às vezes, mas tudo monitorado. 

Também é possível ajudar, inclusive, com alimentos para os animais, como pasto, milho, quirela e ração. Atualmente, alguns restaurantes guardam lavagens para eles buscarem para os porcos. Também foi plantada uma roça de milho, mas não é suficiente. A criação de animais garante a carne para as refeições. 

Outro apoio que seria bastante útil é o atendimento médico. O coordenador conta que no Paraná alguns médicos doam semanalmente algumas horas do tempo para atender acolhidos da Missão S.O.S Vida e que isso seria muito importante em Xanxerê também. 

“O Lions ajuda muito a gente, a Paróquia, a população em si, vêm nos ajudar, desde aqueles que compram uma salada, uma bolacha, que vem trazer doação, voluntários que abraçaram a causa, sem essas pessoas que ajudam não seriamos nada. Desde já agradecemos a todas as pessoas que nos ajudam e pedimos que mais pessoas venham nos ajudar e venham conhecer a missão. Talvez não só para ajudar, mas para ser ajudado, porque nós estamos aqui para isso. Pode ter pessoas aqui do lado que precisam de ajuda e não sabem que a gente existe para aqui para acolher”, comenta Sidnei. 

Estrutura

O terreno onde fica a Missão S.O.S Vida, na saída para Bom Jesus, foi doado pelo casal Ivete e Ivo Santin. Segundo o coordenador, a empresa Continental e a Prefeitura ajudaram com a terraplanagem e a implantação da casa de apoio pôde ser possível. Atualmente, uma nova obra está em andamento no local, para a construção de mais um espaço com dormitórios para cerca de 60 pessoas, banheiros, refeitório e sala para psicóloga.

A ideia foi abraçada pelo Lions Clube Xanxerê Inovação, que tem buscado recursos para concretizar o novo espaço. Mas, muito ainda precisa ser feito, por isso, ajuda com a doação de blocos, cimento são muito bem-vindas. 

“Tem bastante gente pedindo ajuda lá fora e às vezes a gente não tem lugar para acolher. Tínhamos dois acolhidos dormindo no chão, porque não tinha mais cama. Hoje, a gente precisa de uns mil blocos e cimento, são coisas que o Lions está buscando, mas eles não conseguem tudo sozinhos. Se alguém quiser ajudar pode entrar em contato com o Lions, com o Juracir Testa que ajuda bastante a Missão, ou pode ligar e mandar mensagem para mim, no 46 9108-3249”, comenta Sidnei. 


Horta e venda de bolachas 

Como já foi dito, a venda de saladas e das bolachas ajuda a sustentar a continuidade da Missão em Xanxerê. A horta foi iniciada há alguns meses pelo colégio La Salle, que continua dando suporte. Para deixar a horta mais completa e garantir que ela possa continuar no inverno, é preciso cobrá-la, mas eles ainda não conseguiram comprar o material para fazer uma estufa, ou mesmo um sombrite. 

O cultivo é feito pelos próprios acolhidos e as verduras são vendidas na Feira do Produtor toda quarta-feira e sábado, na fruteira que fica na saída para Xavantina, diretamente na sede da Missão e em alguns restaurantes. Vender em mercados seria ótimo, mas para isso é necessário embalagens com a logo da entidade, que ainda não conseguiu providenciar isso sozinha. 

Quanto à venda das bolachas, o coordenador explica que ainda é bastante modesta, realizada de porta em porta em Xanxerê e na paróquia. Então, se algum comércio quiser se dispor a pegar algumas caixas para ajudar a vender, pode entrar em contato com ele. 


“As pessoas que querem nos ajudar comprando as saladas, as bolachas ou ajudar de qualquer forma, me liguem, mandem mensagem, ou procurem a Missão. O seu Albino está sempre aqui também, já que eu faço o trabalho mais externo. E, não só quem quer nos ajudar, mas quem precisa de ajuda que nos procure. Porque estamos aqui para ajudar!”, finaliza. 

Telefone Sidnei (coordenador): 46 9108-3249. A Missão SOS. Vida fica localizada à margem da SC-480, na saída de Xanxerê para Bom Jesus, próximo ao CTG. 


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