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Estado e municípios discutem impactos da estiagem no Oeste

Xanxerê e outros dez municípios da região da Amai já decretaram situação de emergência
Por: Francieli Corrêa 07/01/2022 às 14:59 Atualizado: 14/01/2022 às 17:49

Foto: Ascom/Epagri

Prefeitos, secretários de agricultura e técnicos de Defesas Civis dos municípios da Amai e de outras regiões do Oeste e Extremo Oeste, participaram, na quinta-feira (6), de uma reunião on-line com o secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural de SC, Altair Silva. O objetivo foi tratar sobre os efeitos da estiagem que atinge o estado e planejamentos para mitigar seus impactos no meio rural. 

Na ocasião, técnicos da Epagri apresentaram dados, com destaque para as perdas no Oeste, e o Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de SC (Ciram) apresentou os números acumulados de precipitação e a previsão para o mês de janeiro, que deve seguir com chuvas abaixo da média histórica.

Onze municípios da região Amai já decretaram situação de emergência devido à estiagem. Segundo o prefeito de Xanxerê, Oscar Martarello (PSDB), que participou da reunião, a região mais afetada é realmente a do Oeste, mas, conforme foi apresentado aos participantes, alguns investimentos deverão minimizar esses efeitos.

“O governo do Estado tem alguns incentivos para poços, cisternas, açudes, com 100% de financiamento pelo governo do Estado e, tendo pagamento em dia, tem abono de 50% do valor. Tem também R$ 30 mil para preservação de fontes, com 75% subsidiados pelo governo do Estado”., destacou o prefeito. 

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Investimentos 

Para mitigar os prejuízos e auxiliar no atendimento a comunidade, o secretário apresentou sobre o Programa SC Mais Solo e Água, que disponibilizará R$ 100 milhões para ampliar a resistência hídrica no meio rural e minimizar os impactos das recorrentes estiagens. Além disso, existe a sinalização da Assembleia Legislativa de mais R$ 50 milhões para reforçar essas ações.

“O SC Mais Solo e Água foi um investimento certeiro no meio rural catarinense e está diminuindo a fila de espera para o recebimento de água. Nós queremos que cada vez mais produtores acessem os recursos para investir em captação e armazenagem de água, além da recuperação de fontes e nascentes, só assim estaremos mais preparados para enfrentar as estiagens – que já se tornaram recorrentes em Santa Catarina”, destaca.

Prejuízos 

A principal preocupação do setor produtivo é a quebra na safra de milho - tanto milho grão quanto silagem - que deve impactar diretamente as cadeias produtivas de carne e leite. De acordo com as informações da Epagri/Cepa, a colheita estadual deve ter uma redução de 12,2%, sendo que nas regiões Oeste e Extremo Oeste algumas lavouras tiveram perdas de até 50%. Até o momento, as perdas são avaliadas em R$ 1,2 bilhão no meio rural catarinense.

Trabalho em conjunto 

O coordenador da defesa Civil Municipal de Xanxerê, Ronaldo Luzzi, salienta que a Defesa Civil Estadual vai disponibilizar reservatórios para serem instalados nas redes das comunidades afetadas com a estiagem, com capacidade de 10, 15 e 20 mil litros de água. 

“Para os próximos três meses a estimativa de chuva será de 50% abaixo da média para a nossa região, mas Defesa Civil Estadual, juntamente com a Epagri e Secretaria de Agricultura, está trabalhando para auxiliar os produtores de nossa região. Para informações sobre esses financiamentos, os agricultores devem procurar a Epagri.”, explica Luzzi. 

Entenda melhor: 

SC Mais Solo e Água - Na linha Água Para Todos, os produtores terão acesso a até R$ 100 mil, sem juros e com cinco anos de prazo para pagar. Podem ser feitos investimentos em captação, armazenagem, tratamento e distribuição de água na propriedade rural. Os beneficiários adimplentes terão uma subvenção de 50% no valor das parcelas, ou seja, o governo do Estado pagará metade do financiamento.

As famílias em situação de vulnerabilidade social e de renda terão um apoio ainda maior. O limite será de R$ 20 mil, sem juros e com cinco anos de prazo, e o bônus chega a 75% em caso de pagamento das parcelas em dia. Na prática, se o produtor acessar o valor máximo do financiamento (R$ 20 mil), ele irá pagar apenas R$ 5 mil, sendo o restante garantido pela Secretaria da Agricultura.

Os produtores rurais contam com apoio, também, para isolamento e recuperação de mata ciliar, proteção e recuperação de nascentes, terraceamento e cobertura do solo. Na linha Cultivando Água e Protegendo o Solo, estão disponíveis financiamentos de até R$ 30 mil, sem juros e com cinco anos para pagar. Os beneficiários adimplentes receberão subvenção de 50% no valor das parcelas.

Linhas emergenciais - A Secretaria da Agricultura mantém ainda dois programas com crédito emergencial para atender os agricultores catarinenses. Com o Reconstrói SC, os produtores têm acesso a financiamentos de até R$ 10 mil, sem juros e com cinco anos para pagar, para recuperação de sistemas produtivos. Caso o pagamento seja feito em dia há um desconto de 50%.

“Esse Programa pode ajudar nessa questão de custeio, para fazer a recomposição de pastagens e aquisição de sementes. É muito importante que os agricultores procurem os escritórios da Epagri, principalmente os produtores de leite, que tiveram prejuízos com as pastagens”, explica o secretário adjunto da Agricultura, Ricardo Miotto.


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