Política


Única mulher a assumir vaga na Câmara de Xanxerê em 2021 fala sobre liderança e atuação política

Por: Francieli Corrêa 29/12/2021 às 15:09 Atualizado: 04/01/2022 às 21:58

A suplente Loreni Luiza Rigatti dos Santos (Podemos), foi a única mulher a assumir, mesmo que por um curto período, uma cadeira na Câmara de Vereadores de Xanxerê, na atual legislatura. Ela ocupou por um mês a vaga cedida pelo colega de partido, o vereador licenciado Altair Rossatto.

Loreni tem 51 anos, é moradora do bairro Vila Sésamo, professora e líder comunitária. Fez 378 votos na eleição de 2020, a primeira que disputou. Ela conversou com o TSX sobre sua trajetória profissional, como liderança comunitária e sobre a atuação na Câmara de Vereadores, cargo que assumiu em 1º dezembro e entrega no final do mês. Acompanhe a entrevista:

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1. Por que entrar na política e disputar uma cadeira na Câmara?

Loreni: Concorrer a um processo eleitoral nunca foi um sonho meu, mas acabou se tornando uma missão consequente das causas que me envolvi ao longo da vida. Sinto a necessidade das pessoas de serem ouvidas, olhadas, entendidas. Enquanto representante legislativa, meu objetivo é olhar para as pessoas, entender seus anseios e representar.  E isso se dá pelo trabalho que desenvolvemos há muito tempo como liderança comunitária, buscando acrescentar na qualidade de vida das pessoas do meio onde vivemos. Enxergo a política como um meio para melhorar o trabalho que desenvolvi ao longo da minha trajetória.

2. Você atua como uma liderança comunitária há bastante tempo. Quando e por que começou a querer tomar frente na busca de soluções para os problemas enfrentados na sua comunidade? 

Loreni:Sempre gostei muito de participar. Isso me ensina, traz aprendizado e me realiza como pessoa. Entrei como presidente da associação de moradores do bairro Vista Alegre,  em 2012, e desde lá não parei. O primeiro evento grande que participamos foi o fechamento da BR-282 por uma hora, em julho de 2012. A partir daí fui reeleita presidente e juntamente com a associação de moradores conseguimos muitos avanços. Gosto de contribuir com a comunidade e as pessoas que fazem parte dela, pois o bem individual resulta no coletivo.  Enquanto presidente já fazia um trabalho de fiscalização, na saúde, na educação, na infraestrutura, e a Câmara de Vereadores propicia seguir com o trabalho de um modo mais intenso e eficaz.

3. Em sua campanha você falou que acredita na capacidade e na sensibilidade da mulher como legisladora de verdade e não apenas para preenchimento de cotas para os partidos políticos e em seu discurso na tribuna, no início do mês, destacou que se sentia honrada em ser a representação feminina da Câmara. Que pautas você defenderia mais, caso tivesse quatro anos de mandato? 

Loreni: A mulher deve ser protagonista em todas as áreas. Nosso papel na sociedade é imensurável. A participação na política vem progredindo, muitos avanços já foram conquistados, mas no que diz respeito a representatividade esse debate ainda se encontra distante do desejado. É incoerente, por exemplo, que as mulheres devam preencher 30% das vagas para candidatos, mas não tenham os mesmos 30% de cadeiras reservadas. E isso leva a outro problema: candidaturas sem as condições necessárias e muitas vezes sem o preparo condizente com o cargo pleiteado. As mulheres devem assumir essa condição de protagonismo, valorizando cada vez mais nosso papel na sociedade, inclusive por meio da política, que é o caminho a se tomar para nortear os rumos da nação.

4. Na última eleição, apesar de haver uma renovação total de vereadores, novamente nenhuma mulher foi escolhida para ser uma das representantes da população na Câmara de Xanxerê. A que você atribui essa dificuldade de ter uma representante feminina (ou mais) na política xanxerense?

Loreni: Infelizmente nenhuma mulher foi eleita, e tivemos muitas mulheres espetaculares que se colocaram candidatas. Ainda se acredita que muitas mulheres são candidatas apenas para preencher as vagas necessárias, e é isso que precisa ser mudado, para que mais mulheres despertem em si o interesse pela participação, e para que os eleitores tenham a percepção de que são candidaturas qualitativas e não quantitativas. Sabemos que as mulheres se desdobram para dar conta de todas as tarefas do cotidiano, e essa garra, essa vontade, essa dedicação, devem ser justamente os propulsores da nossa vitória, e nunca o empecilho. É um caminho longo, mas cada passo precisa ser dado.

5. Das seis solicitações, entre requerimentos e indicações, que apresentou nesse período de menos um mês em que participou dos trabalhos do Legislativo como vereadora, a maior parte foi referente à área da educação. Pode citar outros pontos dessa área que precisam ser colocados em pauta e que você colocaria caso tivesse mais tempo na Câmara?

Loreni: Com certeza. Educação é a minha grande bandeira. É a minha área de atuação, dediquei minha vida toda a ser professora, é a atividade que eu amo e precisa de muitos ajustes, muitas melhorias, muita atenção. Recebo diariamente relatos do que está acontecendo na área. Colegas sugerindo, questionando, reivindicando pautas. Vemos muitos candidatos gritando nos palanques de campanha que a educação será prioridade, no entanto ainda está longe de ser. Não teremos uma educação de qualidade sem uma valorização dos profissionais da educação, é preciso motivar a classe dos profissionais que atuam nessa área. Por algumas pautas seguirei trabalhando, entre elas a revisão do plano de cargos e salários dos professores, a regência de classe para professores de processo seletivo, alteração de carga horária para professores efetivo diminuindo o problema de rotatividade, eleição para gestores escolares, reativação dos conselhos escolares em todas as unidades, garantia de que o calendário escolar seja discutido entre todos os profissionais e atendimento de creches em horário comercial.


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