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Detentos do presídio de Xanxerê participaram de roda de conversa sobre livro "Leitura e Cárcere"

Por: Sanny Borges 02/10/2024 às 17:25 Atualizado: 09/10/2024 às 19:32

A Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), professora e escritora Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset conduziu uma roda de conversa sobre seu recém-lançado livro "Leitura e cárcere - (entre) linhas e grades, o leitor preso e a remição de pena”, da editora Appris, no presídio de Xanxerê. O encontro aconteceu nesta quarta-feira (2), às 9h, e contou com a participação de 10 presos e do diretor do presídio de Xanxerê, Tiaraju Luiz da Rosa Lazari. A autora doou exemplares do livro para a biblioteca prisional ao final da roda de conversa.

De acordo com a professora Rossaly Beatriz, a roda de conversa foi emocionante e muito produtiva. “Foi maravilhosa essa devolutiva aos presos da minha pesquisa que virou livro. Pelos relatos deles, apreciaram e se sentiram valorizados. Um dos presos se emocionou e disse que a humanização levada ao cárcere faz a diferença na vida deles. Esse momento ficará para sempre na minha memória, imagino que na dos participantes também”. Rossaly coordenou a pesquisa durante cinco anos no presídio, em um projeto de extensão de leitura do curso de Direito da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc).

Segundo o diretor do presídio de Xanxerê, Tiaraju  Luiz da Rosa Lazari, a Lei de Execuções Penais expressa em seu artigo 1° que é um dever proporcionar condições para a harmônica integração social. "Dessa forma, podemos afirmar que a ressocialização está fortemente sustentada em três pilares, que são: Deus, Educação e Trabalho, e, nossa missão como policiais penais, é de fornecer meios para que esses três pilares se concretizem. Não se pode admitir que uma pessoa passe por um período longo de sua vida privado da liberdade e, ao sair, saia igual ou pior do que quando entrou. O livro Leitura e Cárcere é uma grande demonstração de que o estado de Santa Catarina tem efetivamente buscado meios para transformar a vida das pessoas presas, abrindo as portas para que a sociedade civil organizada possa auxiliar nesta árdua missão”. 

Um dos presos que participou da roda de conversa destacou que a  leitura carcerária é um projeto que não só reduz a pena, mas que leva à liberdade mental, alivia a tensão das grades e ajuda a esquecer os problemas. “Estamos presos fisicamente, não mentalmente. Com a leitura algo acontece e, mesmo preso, viajo por vários mundos, me sinto livre para sonhar e me emociono com as histórias escritas por alguém. A leitura liberta a alma e abre as portas para um futuro melhor.” 

No  livro “Leitura e Cárcere”, a professora e pesquisadora de Língua Portuguesa da Unoesc Xanxerê mostra a experiência em projeto de leitura e remição de pena com presos, que resultou em seu trabalho de doutorado. Além disso, aborda também as mínimas condições de leitura no cárcere e os desafios para o país avançar na remição de pena por meio da leitura.

Fotos: Divulgação

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